Câncer de Mama: o que a Fisioterapia tem a dizer sobre isso?

Neste mês, em apoio ao “Outubro Rosa”, nós fisioterapeutas intensificamos e estendemos as orientações para a observação e autopalpação das mamas pelas mulheres, sempre que se sentirem confortáveis e a qualquer tempo, reafirmando a importância do diagnóstico precoce como a maior ferramenta de cura na atualidade.

Segundo levantamento do INCA (Instituto Nacional de Câncer), na maior parte dos casos os sinais e sintomas do câncer de mama, incluindo a doença em estágio inicial e intermediário, são identificados pela própria mulher durante o autotoque. O próprio indivíduo, ao avaliar-se, consegue reconhecer a alteração anormal da mama e buscar ajuda profissional. A partir do diagnóstico de câncer de mama e da necessidade de ressecção cirúrgica do tumor e/ou da mama (mastectomia), é frequente a procura pela abordagem fisioterapêutica.

Algumas complicações podem surgir no braço do lado operado, como dor, limitação do movimento, formigamento, dormência e inchaço. Essas complicações são comuns no período pós-operatório, mas, mesmo assim, é possível prevenir e diminuir esses sintomas. Entre as dicas estão: não dormir sobre o lado operado e evitar movimentos repetitivos e com peso. Tendo em vista não somente a recuperação física, mas também a prevenção de complicações e a reintegração da mulher as atividades cotidianas e ocupacionais, o fisioterapeuta, com um conjunto de possibilidades terapêuticas, exerce um papel fundamental na vida da mulher em tratamento contra o câncer de mama, contribuindo para o retorno mais rápido da sua condição funcional e da sua qualidade de vida. Previna-se, informe-se e procure um fisioterapeuta!!

Link importante: http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/tiposdecancer/site/home/mama/deteccao_precoce

Máyra Cecilia Dellú é fisioterapeuta, doutora em Ciências pela Faculdade de Saúde Pública da USP e diretora do Departamento de Fisioterapia da Universidade de Taubaté.

Fibrose o quê? Fibrose Cística!

A Fibrose Cística (FC), também conhecida como Mucoviscidose ou Doença do Beijo Salgado (por conta da eliminação em excesso do sal pelo suor, ao ponto das outras pessoas sentirem o “sabor salgado”), é uma doença genética e hereditária, ou seja, passa de pai/mãe para filho. Os pais são normais, mas portadores e ambos transmitem, geneticamente. Sua principal característica é o acúmulo de secreções (catarro) mais espessas nos pulmões. Esse excesso de secreção pode causar infecções pulmonares e colocar a vida do paciente em risco.

A maioria das crianças com fibrose cística é diagnosticada até os dois anos de idade, pois podem apresentar sintomas já no primeiro mês de vida, como dificuldade para ganhar peso, fezes gordurosas e com odor “podre”, tosse seca evoluindo para produtiva (com secreções). No entanto, um número menor, só é diagnosticado com 18 anos ou mais. Acredita-se que apenas 30 ou 40% das mulheres não conseguem engravidar e só 2% dos homens conseguem se tornar pais biológicos.

Os exames que os médicos costumam pedir para identificar a fibrose cística são: teste do pezinho, teste do suor e teste genético. O teste do suor é feito para identificar a quantidade de sal no suor. Ele pode ser realizado também em crianças e adultos.

A expectativa de vida depende das características do paciente, do acesso a cuidados médicos e medicações. Os pacientes apresentam manifestações clínicas variáveis. A doença pulmonar produz sequelas, lesões destrutivas das paredes brônquicas que se instalam precocemente e são irreversíveis. Alguns pacientes com formas leves da doença podem atingir a adolescência e início da vida adulta com diagnóstico errado de asma e sinusites de difícil tratamento. Hoje em dia, a qualidade de vida dos pacientes é bem melhor. Na maioria dos países da União Europeia e América da Norte, a média de idade em que ocorre a morte é em torno dos 28 anos. Para os pacientes nascidos nos últimos 15 anos, a expectativa de vida supera os 50 anos. Acredita-se que é a doença rara mais comum e afeta cerca de 85.000 indivíduos no mundo. No Brasil, uma pessoa a cada 10 mil é afetada.

A fibrose cística ainda não é curável e o tratamento visa melhorar a qualidade de vida e retardar a progressão da doença. Novas drogas foram introduzidas para o tratamento da doença. Além disso, é de fundamental importância o acompanhamento fisioterapêutico no sentido de melhorar a qualidade de vida, identificar possíveis variações respiratórias, preparar para um possível transplante pulmonar e realizar o pós-operatório. Diversos tratamentos podem ser feitos para a FC além da fisioterapia respiratória. Para as crianças, é fundamental ficar de olho na alimentação, para que elas sempre fiquem nutridas. O tratamento é feito com medicamentos para melhorar a respiração, dieta rica em proteínas e calorias, utilizar suplementos vitamínicos e antibióticos para prevenir e tratar as infecções pulmonares. Quando o caso for muito grave, o transplante de pulmão é uma opção.

Desde fevereiro de 2010, o Estado de São Paulo passou a triar os recém-nascidos para fibrose cística realizando a dosagem de uma enzima pancreática, o tripsinogênio, que está elevado no sangue dos recém-nascidos com a doença. O mês de setembro foi escolhido porque no dia 8 é celebrado o Dia Mundial da Fibrose Cística, devido à descoberta do gene anunciado em setembro de 1989.

Dra. Daniela M. F. Paes de Barros é mestre em Engenharia Biomédica pela UMC, fisioterapeuta com título de especialista em Terapia Intensiva no Adulto pela Associação Brasileira de Fisioterapia Cardiorrespiratória e Fisioterapia em Terapia Intensiva e docente e supervisora da prática fisioterapêutica em Cardiorrespiratório (UTI) da Unitau

A Fisioterapia e o tratamento das cefaleias associadas a dores no pescoço

As dores de cabeça ou cefaleias são muito comuns, e há várias causas para tal quadro. De particular interesse são aquelas cefaleias que têm origem na parte superior da coluna cervical. Isso ocorre porque os nervos oriundos desses níveis vertebrais destinam-se, em grande parte, à região posterior do crânio, à orelha e à mandíbula. A figura abaixo ilustra alguns padrões de dor, conforme descrito por Seaton.

Além de verificar a área da dor, pode-se observar o comportamento da mesma: geralmente ela está associada com posturas da cabeça que levam as vértebras cervicais superiores para o final do arco de movimento, o que resulta em estresse nos ligamentos e nas cápsulas articulares. Como exemplo dessas, pode-se mencionar as pessoas que trabalham com a cabeça em flexão por períodos prolongados, aquelas que sofrem com a posição de dormir ou assistem televisão deitadas com a cabeça no final da flexão ou inclinação, ou ainda aquelas que têm a dor após uso prolongado de computadores.

Para esses casos, a Fisioterapia desenvolve um papel fundamental para a resolução do sofrimento desses pacientes. A título de exemplo, foi publicado em 2017 numa revista muito respeitada da área, a Journal of Orthopaedics and Sports Physical Therapy, um guia de prática clínica com evidência científica de resultados positivos. São as seguintes recomendações de intervenções de dor no pescoço com cefaleias:

-Em casos agudos, os clínicos devem prover instruções supervisionadas de exercícios ativos, e podem realizar o exercício de deslizamento natural autossustentado (com abreviatura em inglês “Self-SNAG”);

-Em casos subagudos, os clínicos devem executar manipulação e mobilização cervical, e podem realizar o Self-SNAG;

Em casos crônicos, os clínicos devem executar manipulações ou mobilizações cervicais ou cervicotorácicas combinadas com exercícios para a cintura escapular e alongamentos, fortalecimentos e treino de resistência para o pescoço.

É muito gratificante saber que esses problemas têm solução, se a pessoa encontra um profissional fisioterapeuta atualizado e preparado tecnicamente para realizar esses procedimentos.

Rubens Corrêa Araujo é fisioterapeuta, mestre em Ciências (Anatomia – USP), doutor em Biodinâmica do Movimento Humano (EEFE-USP) e professor do Departamento de Fisioterapia da Unitau

#AgostoLaranja

A esclerose múltipla (EM) é uma doença inflamatória, crônica do sistema nervoso central de origem autoimune. Na EM o sistema imunológico, por razões ainda não completamente esclarecidas, ataca uma substância chamada de mielina. A mielina é uma capa lipídica que envolve os neurônios e funciona da mesma forma que o isolamento dos fios elétricos. Quando essa bainha está integra, a informação trafega de maneira rápida pelo neurônio, uma vez que percorre somente os trechos “desencapados” da célula. Quando ocorre a perda da bainha de mielina, existe um problema de comunicação entre o cérebro, a medula e outras partes do corpo. Eventualmente a doença pode lesar o próprio nervo e, nesse caso, os danos serão permanentes.

Os sinais e sintomas da EM são muito variados, assim como a gravidade da doença. Entre os sintomas podemos citar a fadiga, a dor, a perda da visão e a dificuldade de realizar movimentos por fraqueza ou incoordenação. A maior parte das pessoas com EM experimenta longos períodos de remissão da doença sem novos sintomas, mas outras podem, por exemplo, perder a capacidade de andar independentemente. No Brasil não existem dados precisos, mas estima-se que a prevalência seja de 15 a 18 casos por 100.000 habitantes. As mulheres são mais acometidas do que os homens. O diagnóstico da doença deve ser feito por um médico, preferencialmente um neurologista.

Não há cura, mas a fisioterapia e os remédios que suprimem o sistema imunológico ajudam no controle dos sintomas e podem modificar o curso da doença. Sabemos que a fisioterapia ajuda no manejo da dor, da fadiga e da mobilidade, influenciando positivamente a qualidade de vida de pessoas com a doença.

Nesse mês, entidades que apoiam portadores da doença promovem o Agosto Laranja, para aumentar o conhecimento sobre a doença. No site agostolaranja.org.br você pode encontrar mais informações sobre o assunto. Procure também pela #AgostoLaranja nas redes sociais e se informe, porque conhecimento é sempre o melhor remédio.

Karla Rodrigues Cavalcante é fisioterapeuta, mestre em Neurologia pela USP, docente e supervisora da Prática Fisioterapêutica em Neurologia Adulto da Unitau

Higiene do sono: caminho simples para melhorar a qualidade de vida

Muitos estudos científicos já evidenciaram que a falta do sono ou sua péssima qualidade são portas de entrada para diversos problemas de saúde. Segundo a AASM (Academia Americana de Medicina do Sono), um adulto deveria dormir entre 7 e 9 horas por noite. No entanto, a vida moderna traz como bagagem exigências de trabalho e de estudo que ultrapassam os limites de períodos pré-estabelecidos para tal finalidade. É comum encontrar pessoas que dedicam horas de seu descanso para finalizar tarefas do trabalho ou se privam do sono para estudar conteúdos de provas e concursos. A dificuldade em administrar a própria agenda, associada a hábitos inadequados, faz com que seja cada vez menor o número de horas dormidas todas as noites.

As principais queixas a respeito de problemas com o sono se relacionam a dificuldade de dormir, acordar no meio da noite e não conseguir retomar o sono, sensação de cansaço ao acordar e sonolência durante o dia. Indivíduos que dormem pouco e vivenciam essas queixas com muita frequência podem aumentar as chances de desenvolver doenças como: pressão alta, diabetes, obesidade, enxaquecas, ansiedade, depressão e estresse, além de favorecer, pela baixa da imunidade, o aparecimento de gripes, resfriados e outras doenças contagiosas. Além disso, pessoas que dormem mal se tornam mais irritadas, com baixa concentração e maior risco de acidentes de trabalho ou de trânsito.

O tratamento para problemas com o sono pode ser simples e barato, sem efeitos colaterais e de fácil aplicação, basta o indivíduo estar disposto a mudar pequenos hábitos do dia a dia que os resultados logo aparecerão. A esse conjunto de mudanças destinado a melhorar a qualidade do sono dá-se o nome de Higiene do Sono.

A Higiene do sono é composta por orientações simples que devem ser seguidas rigorosamente todos os dias e que podem ser colocadas em prática de forma gradativa. São elas:

1) Ordem na rotina: estabeleça horário para deitar e levantar todos os dias da semana. A rotina de horários começa a regular o relógio biológico.

2) Quarto só para dormir: utilize o quarto apenas para praticar atividades sexuais e dormir. Qualquer outra atividade como ver TV, ler, utilizar o celular ou computador deve ser feita em outro cômodo.

3) Quarto escuro e silencioso: durma sem nenhuma luz acesa. Caso não seja possível, utilize um protetor sobre os olhos para impedir a claridade. Mantenha o ambiente silencioso e tranquilo, mesmo que isso exija certa negociação com a pessoa com que divide o quarto.

4) Atenção ao colchão e aos travesseiros: o colchão deve ser firme o suficiente para não deixar o contorno do corpo desenhado ao levantar. Os travesseiros precisam ser macios e adaptados conforme a posição de dormir.

5) Adote uma rotina tranquila e relaxante antes de ir para cama. Não assista a programas de televisão que possam deixar seu sono agitado ou com pesadelos.

6) Alimentação: Tente fazer a última refeição do dia duas horas antes de dormir. Caso não seja possível, não exagere na quantidade. Evite alimentos gordurosos e de difícil digestão, dê preferência por alimentos leves.

7) Cuidado com as bebidas à noite: Não ingerir bebidas que contenham cafeína pelo menos seis horas antes de dormir. Este mesmo cuidado deve ser tomado com bebidas à base de guaraná ou outros tipos de energético, além de bebidas alcoólicas. Embora a bebida alcoólica ajude a dormir rapidamente, ela destrói o sono profundo, fazendo com que você acorde cansado. Lembre-se que o excesso de líquido à noite aumenta o número de idas ao banheiro.

8) Pare de fumar. Contudo, se você ainda fuma, evite este hábito pelo menos 4 horas antes de dormir.

9) Pratique exercícios físicos regularmente. Uma simples caminhada 3 vezes por semana de 50 minutos ou uma caminhada 5 vezes por semana de 30 minutos é o suficiente para melhorar seu sono e sua saúde. O exercício físico é muito bom, mas deve ser feito até 3 horas antes de dormir.

10) Evite dormir com animais de estimação na cama ou no quarto, eles podem atrapalhar o sono. Tenha um caderninho para anotar todos os compromissos do dia seguinte e faça isso antes de iniciar sua rotina de sono (arrumar a cama para dormir, desligar TV, computador e celular, tomar banho, etc), assim você não precisará se preocupar no momento em que deitar para dormir.

11) Se acontecer algum imprevisto e a noite de sono for ruim, ou até mesmo sem dormir, levante no dia seguinte no horário de sempre e não se poupe por isso. Trabalhe normalmente e não cochile durante o dia. O cansaço será um ingrediente maravilhoso para dormir bem.

12) Se foi deitar e perdeu o sono, não fique se esforçando na cama para dormir. Levante e vá para outro lugar da casa realizar uma atividade o deixe tranquilo. Quando o sono aparecer, vá para o quarto dormir.

Experimente começar as mudanças ainda hoje, pense nas estratégias necessárias para que este processo seja um sucesso e estabeleça metas semanais, pois alcançando gradativamente pequenas metas, o entusiasmo fará com que você persista no caminho e tenha a vitória de um sono maravilhoso e restaurador.

Elaine Cristina Alves Pereira é fisioterapeuta, mestre e doutora em Saúde Pública pela FSP/USP, docente e supervisora da prática fisioterapêutica em gerontologia, saúde da mulher e saúde coletiva da Unitau

Bronquiolite: informe-se e proteja seu filho

A bronquiolite viral é a doença respiratória mais frequente em crianças e também uma das maiores causas de internação hospitalar infantil, principalmente entre os menores de dois anos. Os sintomas são muito parecidos com os de uma gripe. Começam com complicações das vias aéreas superiores, como coriza e congestão nasal, além de febre baixa, mas acabam evoluindo para sinais de complicação pulmonar como tosse e chiado, provocando dificuldade para respirar e cansaço. Embora na maioria das vezes não haja grandes complicações, algumas crianças (principalmente os nascidos prematuros e aqueles que já têm diagnóstico de outras doenças respiratórias) têm maior probabilidade de desenvolverem uma forma mais grave da doença, chegando a necessitar de internação hospitalar.

Causada por um vírus bastante comum, o vírus sincicial respiratório, a bronquiolite é altamente transmissível e mais comum em períodos mais frios do ano. Assim, para proteção das crianças, é essencial evitar o contato delas com outras pessoas doentes, além de evitar ambientes fechados e cuidar da higiene das mãos. O aleitamento materno também é um importante fator de prevenção, uma vez que a mãe produz anticorpos que ajudam na proteção do bebê e isso pode diminuir em até 30% os riscos de internação hospitalar por doenças respiratórias.

A fisioterapia respiratória é uma das alternativas de tratamento para a bronquiolite, usada principalmente para crianças com dificuldade para respirar e para eliminar as secreções. Por meio de técnicas que não provocam dor, o fisioterapeuta auxilia a higiene das vias aéreas e facilita a passagem do ar, ajudando o bebê a respirar melhor e auxiliando no tratamento da doença. O tratamento com a fisioterapia respiratória é realizado nas crianças internadas, mas também pode ser feito pelo fisioterapeuta especializado em casa ou em clínicas e ambulatórios, inclusive na clínica de fisioterapia da Universidade de Taubaté!

Proteja e cuide do seu bebê! Esteja atento aos sinais de complicações respiratórias e conte com a fisioterapia para seu tratamento!

Amanda Lucci Franco da Matta Campos é pós-graduada em Reabilitação Neurológica Infantil pela Unicamp e especialista em Terapia Intensiva Pediátrica e Neonatal (COFFITO)

O uso do pilates clínico para pessoas com dor crônica

Quando um paciente queixoso de dor procura um fisioterapêuta, como fazê-lo entender que o movimento é o mais indicado ao invés de diminuir suas atividades diárias, ou a prática do repouso?

A educação em dor deve ser utilizada com nossos pacientes, com objetivo de diminuição da cinesiofobia, diminuição da catastrofização da dor, aumento das atitudes e comportamentos saudáveis. E uma técnica muito bem-vinda para manter o corpo desse paciente em movimento é o pilates, um tipo de exercício que pode ser desafiador, podendo aumentar a adesão do paciente à cinesioterapia e a redução de sua dor. Uma técnica desenvolvida por Joseph Pilates, baseado na contrologia, que seria uma contração da musculatura central do corpo, conhecida como CORE.

Apesar de a técnica enfatizar a contração de alguns músculos específicos, o que já é visto como uma escolha não eficaz para o tratamento de várias dores, conseguimos trabalhar com essa técnica tendo o objetivo de mostrar, através dos variados exercícios, que o corpo não é formado de estruturas frágeis, e que ele foi criado para o movimento. Aos poucos a pessoa se torna confiante, aumenta-se o grau de dificuldade dos exercícios e, quando menos se percebe, a dor vai se eliminando e alguma atividade diária que o paciente não se julgava capaz começa a ser realizada novamente.

Exercícios conseguem promover uma verdadeira reeducação dos movimentos, e ter ganhos como aumento de flexibilidade, resistência, força e diminuição da dor. O paciente trabalha o corpo como um todo, tirando o foco da doença, e passando para ganho da saúde.

Estudos como de Miyamoto GC, 2018 comprovam que a prática do pilates de no mínimo duas vezes semanais, e com mais eficiência em 3 vezes semanais, consegue uma diminuição na intensidade da dor, e com isso melhora nos hábitos de vida.

O pilates clínico pode ser uma excelente escolha para o paciente que possui dor crônica, por ser uma atividade que não se torna repetitiva e podendo ser sempre desafiadora ao paciente.

Talita de Castro Domiciano é fisioterapeuta e docente do curso de Fisioterapia da Unitau, ex-coordenadora de atendimento no Programa de Atenção a Coluna do Grupo Equality-SJC. Atua com Pilates Clínico em pacientes com dor persistente na Coluna na Pilates Method Brasil

Afogamento infantil: perigo que pode estar dentro de casa

O período de férias aproxima-se e se engana quem acha que é preciso estar no verão e frequentar praias ou piscinas para se preocupar com o perigo de afogamento e ficar atento à segurança das crianças. O afogamento é resultado de asfixia por imersão ou submersão em qualquer meio líquido, sendo provocado pela entrada de água nas vias aéreas, dificultando parcialmente ou totalmente a respiração. Assim sendo, este tipo de acidente pode ocorrer tanto em ambientes externos como praias, rios e piscinas, quanto dentro de casa, em banheiras, baldes e bacias.
Para uma criança que está começando a andar, quatro dedos de água esquecidos em um balde na lavanderia já representam perigo significativo. Apenas dois minutos submersa em uma banheira são suficientes para causar perda de consciência, e somente seis minutos podem ocasionar danos permanentes ao cérebro. Nesta faixa etária, a coordenação motora infantil, ou seja, a capacidade de controle que a criança tem sobre o seu corpo encontra-se em desenvolvimento e, portanto, ainda não possui reação física e agilidade necessária para se proteger. Além disso, meninos e meninas com até quatro anos possuem uma estrutura física desproporcional, em que o peso da cabeça pode representar até 25 % da sua massa corpórea. Essa diferença faz com que a criança se desequilibre com mais facilidade e tenha dificuldade em retomar a postura inicial.
Ao contrário do que se imagina, o afogamento ocorre de forma silenciosa e pode levar à morte ou resultar em sequelas neurológicas graves e irreversíveis, quadro que ocasiona prejuízos não apenas físicos, mas também psicossociais e econômicos. Contudo, medidas preventivas simples podem ser adotadas e praticadas para que este período seja integralmente aproveitado por toda família, são elas:
-Manter tanques, baldes, bacias e banheiras vazias após o uso;
-Trancar a porta do banheiro, mesmo que mantenha a tampa do vaso sanitário fechada;
-Procurar ter tudo em mãos na hora do banho (toalha, sabonete, roupa) para não se ausentar do local e acabar deixando a criança sozinha na banheira;
-Colocar barreiras físicas em piscinas domésticas e similares, mantendo-as adequadamente cercadas. Mesmo que a piscina possua alarme e capa protetora, evitar deixar brinquedos e outros atrativos dentro ou ao redor. Apesar destes artifícios promoverem mais proteção, não eliminam totalmente o risco de acidentes.
Lembre-se, basta haver água para que exista perigo de afogamento, por isso, nunca deixe uma criança sem a supervisão de um adulto e mantenha o número do telefone de emergência sempre visível (SAMU: 192 / Corpo de Bombeiros: 193).

Angelita de Aguiar é fisioterapeuta, especialista em neurologia funcional, mestre em Engenharia Biomédica pela Universidade do Vale do Paraíba e docente da disciplina Prática Fisioterapêutica Supervisionada em Pediatria do Departamento de Fisioterapia da Unitau

Osteoartrose: controle a doença com o movimento!

A osteoartrose, osteoartrite ou artrose é uma doença articular inflamatória degenerativa e a mais frequente do grupo dos “reumatismos”.

A osteoartrose apresenta certa preferência por mulheres, afetando principalmente as mãos e joelhos. Nos homens, a articulação do quadril costuma ser a mais afetada. Manifesta-se com o passar dos anos, sendo pouco comum antes dos 40 e mais frequente após os 60 anos de idade.

A osteoartrose se caracteriza pelo desgaste da cartilagem articular e por alterações ósseas, entre elas os osteófitos, conhecidos popularmente como “bicos de papagaio”. É um problema que acomete todo o sistema locomotor, desde joelhos, quadril, mãos e coluna vertebral, e atinge ossos, articulações, cartilagens, músculos, tendões e ligamentos causando dor, rigidez matinal, dificuldade na realização dos movimentos além de distúrbios de postura e da maneira de andar.

Além do diagnóstico médico, que é fundamental para que o tratamento possa ser iniciado o mais rapidamente possível, a fisioterapia proporciona auxílio inestimável no controle dos sintomas dessa doença, que pode se tornar incapacitante quando não é tratada. Há inúmeros recursos que permitem ao fisioterapeuta promover alívio das queixas do paciente. Destacam-se a prescrição de exercícios terapêuticos específicos e individualizados com objetivo de fortalecer os músculos que atuam ao redor da articulação desgastada e, nos casos de dor, as medidas de analgesia.

Estudos científicos muito importantes demonstraram que o movimento da articulação na fase crônica da inflamação favorece a lubrificação da região e alivia a dor, contrariando a crença popular que sempre adotou o repouso da região para aliviar a dor. Os exercícios também contribuem para a manutenção da força muscular, permitem mais estabilidade articular e reduzem consideravelmente a dificuldade para desempenhar atividades cotidianas. Procure um profissional para tirar suas dúvidas e cuide das suas articulações e da sua saúde!

Luciana Cristina Steinle Camargo é fisioterapeuta, doutoranda em Fisioterapia pela UFSCAR, especialista em Gerontologia Clínica e Social pela Unifesp e membro da Associação Brasileira de Fisioterapia em Gerontologia. Atua como docente e supervisora da Prática Fisioterapêutica em Gerontologia, Saúde da Mulher e Saúde Coletiva.

Previna-se contra o Câncer!

O câncer, ou neoplasia, é uma doença em que determinadas células crescem e se multiplicam de forma desordenada, formando tumores e levando a importantes alterações no organismo, podendo levar a morte. Outra característica do câncer é a metástase, que significa a capacidade dessas células se espalharem pelo corpo do paciente e desenvolver outros tumores em diversos locais do corpo do indivíduo. Por essa razão, são também chamados de tumores malignos. É uma doença grave, mas hoje, com os avanços científicos, muitos tipos de câncer têm tratamento e cura. Técnicas cirúrgicas cada vez menos invasivas, radioterapia mais precisas e novos quimioterápicos mais eficientes são alguns desses enormes avanços científicos e tecnológicos no campo da oncologia. Mas eu quero chamar a atenção para dois importantes aliados na luta contra o câncer: o diagnóstico precoce e a prevenção. Quanto antes o individuo for diagnosticado, melhores são as chances de sucesso no tratamento.

O câncer, se descoberto em suas fases iniciais, tem um tamanho menor, e poucas chances de metástases. Nessa fase, o tratamento se torna mais localizado e eficiente. Por isso alguns exames, a partir de determinada idade, são tão importantes, como a mamografia nas mulheres e o exame de próstata nos homens. São exames altamente eficazes de detecção precoce das duas neoplasias mais comuns na nossa população.

Com relação à prevenção, o que podemos fazer? Nem sempre é possível determinar a causa do surgimento do tumor: fatores genéticos, ter predisposição para determinados tipos de tumor, estilo de vida, fatores ambientais ou até mesmo hábitos alimentares podem fazer diferença para o bem ou para o mal. Hábitos como fumo e consumo excessivo de álcool aumentam a chance de determinados tipos de tumores. Por outro lado, hábitos como uma alimentação saudável com menos produtos industrializados e atividade física regular, além de melhorar a qualidade de vida e disposição para o dia a dia, têm efeitos protetores contra vários tipos de câncer. Nossa saúde é nossa responsabilidade, previna-se!

Dr. Cesar Antonio Pinto é fisioterapeuta, docente da disciplina Fisioterapia nas Disfunções Cardiovasculares e Respiratórias. Ex-coordenador de fisioterapia do Instituto do Câncer do estado de São Paulo. Supervisor da Prática Fisioterapêutica Hospitalar da Universidade de Taubaté