A importância do engatinhar

Um dos marcos do desenvolvimento motor infantil mais aguardado pelos pais é o andar. Em alguns casos, erroneamente, certas estratégias para estimulação da marcha são aplicadas pelos cuidadores antes mesmo da criança adquirir o engatinhar, com o intuito de acelerar a sua independência.

O engatinhar, no desenvolvimento motor típico, é uma forma de locomoção que precede a deambulação, especialmente presente nas crianças de 8 ou 9 meses de idade. No entanto, nem todas as crianças passam por esta etapa antes de adquirir a bipedia e marcha, prática que deveria ser incentivada pelos adultos.

A fase do engatinhar proporciona inúmeros benefícios ao desenvolvimento dos pequenos, tais como:

-Possibilita maior independência, agilidade e oportunidades de exploração do ambiente;

-Estimula o equilíbrio, inicialmente em uma base de apoio maior do que em bipedia;

-Desenvolve maior consciência corporal e noção espacial, à medida que a criança experimenta diferentes alturas, tamanhos e profundidades;

-Aumenta a força muscular do tronco, dos membros inferiores e membros superiores;

-Reforça a estabilidade dos membros superiores e estimula a formação dos arcos palmares, imprescindíveis para atividades motoras finas envolvendo as mãos;

-Exercita a contra-rotação da coluna vertebral, necessária ao desenvolvimento de movimentos recíprocos dos membros;

-Aprimora a coordenação motora geral, pois envolve a alternância de movimentação dos quatro membros;

-Aperfeiçoa a coordenação visual, posteriormente empregada na leitura e escrita.

Podemos estimular a aquisição da postura quatro apoios (gatas) e posteriormente o engatinhar a partir da posição sentada sem apoio, geralmente aos 6-7 meses de idade, ou a partir da postura deitada de bruços, oferecendo brinquedos próximos à criança e aumentando gradativamente a distância, para que a mesma seja incentivada a deslocar-se. Vamos brincar mais com as crianças no chão?

Juliana Cátia de Oliveira é professora das disciplinas Fisioterapia em Neurologia Infantil, Desenvolvimento Neuromotor, Prática Fisioterapêutica Supervisionada em Pediatria, e coordenadora do Projeto de Extensão Estimulação do Desenvolvimento Neuropsicomotor de Bebês, do Departamento de Fisioterapia da Unitau

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