O infarto agudo do miocárdio

O infarto agudo do miocárdio, ou comumente conhecido como infarto do coração, ocorre quando o músculo cardíaco não recebe sangue e oxigênio suficiente para trabalhar. Essa falta de sangue provoca a lesão ou até a necrose de parte do músculo cardíaco. É uma condição de saúde muito grave que atinge a população brasileira. Segundo estatísticas oficiais, anualmente cerca de 100 mil pessoas morrem em sua decorrência e cerca de 35% dos óbitos de brasileiros com idade acima de 55 anos são em razão de doenças cardiovasculares.

A principal causa do infarto ocorre pela presença da aterosclerose, que são placas de gordura na parede dos vasos responsáveis pelo fluxo sanguíneo para o coração. O surgimento e crescimento dessas placas diminuem o espaço por onde o sangue consegue passar, comprometendo a quantidade de sangue e oxigênio disponível para o trabalho que o coração deve desempenhar. Com a aterosclerose é comum a formação de coágulos sobre essa mesma placa, o que também pode provocar o entupimento das artérias coronárias. Em ambos os casos o fluxo sanguíneo fica comprometido, ocasionando assim o infarto agudo do miocárdio.

O principal sinal do infarto é a dor aguda no peito, que perdura por mais de 20 minutos e se irradia para o braço ou ombro esquerdo. Além da terrível sensação de que algo aperta o coração, a pessoa pode sentir dores e desconforto em toda a região torácica, assim como falta de ar, fadiga, azia, suor excessivo, dor nas costas e no pescoço.

A prevenção é sempre o melhor remédio, e a melhor maneira é evitar ou minimizar os fatores de risco como diminuir ou encerrar o hábito de fumar, evitar o uso excessivo de álcool, manter uma dieta saudável e balanceada, controlar o peso e a pressão arterial.

Evitar o sedentarismo também é um importante aliado na prevenção de doenças cardiovasculares. Medidas simples como meia hora de atividade física por dia podem ter efeitos muito benéficos na prevenção dessas doenças.

O acompanhamento por um profissional de saúde é sempre aconselhável, pois somente esse profissional poderá orientá-lo de maneira exata e específica para cada caso ou situação. Previna-se!

Cesar Antonio Pinto é fisioterapeuta, docente da disciplina Fisioterapia nas Disfunções Cardiovasculares e Respiratórias, ex-coordenador de fisioterapia do Instituto do Câncer do estado de São Paulo e supervisor da Prática Fisioterapêutica Hospitalar da Universidade de Taubaté

A importância do engatinhar

Um dos marcos do desenvolvimento motor infantil mais aguardado pelos pais é o andar. Em alguns casos, erroneamente, certas estratégias para estimulação da marcha são aplicadas pelos cuidadores antes mesmo da criança adquirir o engatinhar, com o intuito de acelerar a sua independência.

O engatinhar, no desenvolvimento motor típico, é uma forma de locomoção que precede a deambulação, especialmente presente nas crianças de 8 ou 9 meses de idade. No entanto, nem todas as crianças passam por esta etapa antes de adquirir a bipedia e marcha, prática que deveria ser incentivada pelos adultos.

A fase do engatinhar proporciona inúmeros benefícios ao desenvolvimento dos pequenos, tais como:

-Possibilita maior independência, agilidade e oportunidades de exploração do ambiente;

-Estimula o equilíbrio, inicialmente em uma base de apoio maior do que em bipedia;

-Desenvolve maior consciência corporal e noção espacial, à medida que a criança experimenta diferentes alturas, tamanhos e profundidades;

-Aumenta a força muscular do tronco, dos membros inferiores e membros superiores;

-Reforça a estabilidade dos membros superiores e estimula a formação dos arcos palmares, imprescindíveis para atividades motoras finas envolvendo as mãos;

-Exercita a contra-rotação da coluna vertebral, necessária ao desenvolvimento de movimentos recíprocos dos membros;

-Aprimora a coordenação motora geral, pois envolve a alternância de movimentação dos quatro membros;

-Aperfeiçoa a coordenação visual, posteriormente empregada na leitura e escrita.

Podemos estimular a aquisição da postura quatro apoios (gatas) e posteriormente o engatinhar a partir da posição sentada sem apoio, geralmente aos 6-7 meses de idade, ou a partir da postura deitada de bruços, oferecendo brinquedos próximos à criança e aumentando gradativamente a distância, para que a mesma seja incentivada a deslocar-se. Vamos brincar mais com as crianças no chão?

Juliana Cátia de Oliveira é professora das disciplinas Fisioterapia em Neurologia Infantil, Desenvolvimento Neuromotor, Prática Fisioterapêutica Supervisionada em Pediatria, e coordenadora do Projeto de Extensão Estimulação do Desenvolvimento Neuropsicomotor de Bebês, do Departamento de Fisioterapia da Unitau