Atenção: drenagem linfática manual não causa dor

Verão chegando… e aumenta muito o interesse da população por tratamentos que melhorem os contornos corporais, as gordurinhas localizadas e a indesejada “celulite” (cujo nome mais adequado é Fibro Edema Gelóide). Desperta a procura por diversas técnicas e massagens ditas como “redutoras” ou “modeladoras” para tratar condições que não nos agradam esteticamente.

São vários os relatos de pacientes que buscaram estes serviços e foram submetidos a práticas com características obscuras, em especial técnicas de Drenagem Linfática Manual, executadas de forma errônea, causando um sofrimento com manobras extremamente vigorosas, provocando dores intensas e equimoses (manchas na pele, produzidas por extravasamento de sangue), e ainda complicações como microvarizes, piora da celulite e até deslocamento de trombos.

É dever esclarecer que este panorama põe em risco a saúde da população e desvaloriza uma técnica que tem um gigantesco valor científico e clínico. A Drenagem Linfática Manual respeita a anatomia e fisiologia do sistema linfático e a integridade dos tecidos superficiais. Mas, para tanto, deve ser executada de maneira suave, lenta e rítmica, sem causar, em hipótese alguma, danos ou lesões aos tecidos e, principalmente, dor ao paciente. Fique atento ao procedimento correto e não se deixe enganar. Procure um fisioterapeuta, profissional capacitado para proceder a técnica corretamente e atingir resultados benéficos.

Nadiely S. Barros Diniz é fisioterapeuta formada pela PUCCAMP, técnica em Estética Corporal e Facial pelo Senac Campinas, especialista em Fisioterapia Dermato-Funcional pela UNICID, especialista e mestre em Fisiologia do Exercício pela Unifesp, e professora da disciplina de Fisioterapia Dermato-Funcional da Unitau

Fisioterapia na Apneia do Sono

O hábito de roncar durante a noite anda incomodando muitas pessoas. Você sente sono durante o dia, parece sempre cansado, acorda com dor de cabeça, anda irritado e com esquecimentos? Estes podem ser sintomas da apneia do sono (AOS), um distúrbio que compromete a qualidade de vida e eleva os riscos para o desenvolvimento de problemas cardíacos, diabetes e outras doenças.

Existem três tipos, sendo a mais comum a apneia obstrutiva do sono, causada por uma obstrução nas vias aéreas superiores (nariz ou garganta). Esse estreitamento provoca uma vibração na garganta, que gera o barulho do ronco, e está associado a deformidades na anatomia dessa região e também ao aumento das amígdalas e/ou adenoides. Já a apneia central do sono, mais rara, se deve a alterações no centro respiratório do cérebro. Suas principais causas são doenças cardíacas avançadas, uso de remédios para dor do tipo opióide e doenças neurológicas, como traumas e Acidente Vascular Encefálico (AVE). A menos comum é a apneia mista, que tem como causa uma mistura das outras duas.

Com as pausas na respiração, pode acontecer a elevação da frequência cardíaca e o estímulo à contração dos vasos sanguíneos para levar mais sangue oxigenado para as demais áreas do corpo. Esse esforço pode gerar arritmias cardíacas e hipertensão arterial. Além disso, a apneia do sono aumenta os riscos de desenvolver diabetes tipo 2, por favorecer o acúmulo de gordura abdominal e contribuir para o desenvolvimento da resistência à insulina.

O diagnóstico é realizado pelo exame de polissonografia, que avalia a qualidade do sono, a quantidade de apneias durante o sono e o tipo (se obstrutiva ou central). A partir deste exame consegue-se determinar, por exemplo, o Índice de apneia/hipopneia (AHI), e assim realiza-se sua classificação e direcionamento do tratamento, sendo:
-AHI 5-15: Apneia do Sono Leve
-AHI 15-30: Apneia do Sono Moderada
-AHI >30: Apneia do Sono Grave

Os casos mais leves de AOS podem ser tratados com algumas mudanças de hábitos, tais como reduzir o consumo de calorias, cessar o tabagismo, respeitar o número adequado de horas de sono e evitar uso de TV, computador e celulares próximo da hora de dormir.

Geralmente, a ventilação não invasiva é o tratamento mais comum, indicado nos quadros de AOS moderada a grave, com base no exame de polissonografia. CPAP é uma abreviatura do termo inglês Continuous Positive Airway Pressure (pressão positiva contínua nas vias aéreas). O aparelho fornece pressão de ar por meio de uma máscara via nasal ou oronasal. Ainda pode-se recorrer ao BIPAP (Bilevel Positive Airway Pressure), que funciona da mesma maneira que o CPAP, sendo que o BIPAP ajusta a pressão de ar de forma automática, fazendo pressões diferentes na inspiração e expiração.

O CPAP com máscara nasal é o tratamento de primeira linha para AOS, mas máscaras oronasais são frequentemente utilizadas na prática clínica. Um estudo recente, publicado no periódico Chest, comparou os dois tipos de máscara e concluiu que, em geral, a máscara oronasal foi associada a um nível mais elevado de CPAP; em média +1,5 cm H2O e maior IAH residual; em média, +2,8 eventos/h e pior adesão ao tratamento; em média -48 min/noite.

Se você foi diagnosticado com AOS procure um fisioterapeuta, que ele te ajudará com a mudança de hábitos e ajustes do equipamento de ventilação não invasiva, bem como com a escolha da melhor interface (nasal ou oronasal) para seu tratamento.

Tatiane Lopes Patrocínio da Silva é fisioterapeuta graduada pela Ufscar, mestre em Fisioterapia e doutora em Biotecnologia pela Ufscar e docente na área de Cardiorrespiratória na Unitau