Fibrose o quê? Fibrose Cística!

A Fibrose Cística (FC), também conhecida como Mucoviscidose ou Doença do Beijo Salgado (por conta da eliminação em excesso do sal pelo suor, ao ponto das outras pessoas sentirem o “sabor salgado”), é uma doença genética e hereditária, ou seja, passa de pai/mãe para filho. Os pais são normais, mas portadores e ambos transmitem, geneticamente. Sua principal característica é o acúmulo de secreções (catarro) mais espessas nos pulmões. Esse excesso de secreção pode causar infecções pulmonares e colocar a vida do paciente em risco.

A maioria das crianças com fibrose cística é diagnosticada até os dois anos de idade, pois podem apresentar sintomas já no primeiro mês de vida, como dificuldade para ganhar peso, fezes gordurosas e com odor “podre”, tosse seca evoluindo para produtiva (com secreções). No entanto, um número menor, só é diagnosticado com 18 anos ou mais. Acredita-se que apenas 30 ou 40% das mulheres não conseguem engravidar e só 2% dos homens conseguem se tornar pais biológicos.

Os exames que os médicos costumam pedir para identificar a fibrose cística são: teste do pezinho, teste do suor e teste genético. O teste do suor é feito para identificar a quantidade de sal no suor. Ele pode ser realizado também em crianças e adultos.

A expectativa de vida depende das características do paciente, do acesso a cuidados médicos e medicações. Os pacientes apresentam manifestações clínicas variáveis. A doença pulmonar produz sequelas, lesões destrutivas das paredes brônquicas que se instalam precocemente e são irreversíveis. Alguns pacientes com formas leves da doença podem atingir a adolescência e início da vida adulta com diagnóstico errado de asma e sinusites de difícil tratamento. Hoje em dia, a qualidade de vida dos pacientes é bem melhor. Na maioria dos países da União Europeia e América da Norte, a média de idade em que ocorre a morte é em torno dos 28 anos. Para os pacientes nascidos nos últimos 15 anos, a expectativa de vida supera os 50 anos. Acredita-se que é a doença rara mais comum e afeta cerca de 85.000 indivíduos no mundo. No Brasil, uma pessoa a cada 10 mil é afetada.

A fibrose cística ainda não é curável e o tratamento visa melhorar a qualidade de vida e retardar a progressão da doença. Novas drogas foram introduzidas para o tratamento da doença. Além disso, é de fundamental importância o acompanhamento fisioterapêutico no sentido de melhorar a qualidade de vida, identificar possíveis variações respiratórias, preparar para um possível transplante pulmonar e realizar o pós-operatório. Diversos tratamentos podem ser feitos para a FC além da fisioterapia respiratória. Para as crianças, é fundamental ficar de olho na alimentação, para que elas sempre fiquem nutridas. O tratamento é feito com medicamentos para melhorar a respiração, dieta rica em proteínas e calorias, utilizar suplementos vitamínicos e antibióticos para prevenir e tratar as infecções pulmonares. Quando o caso for muito grave, o transplante de pulmão é uma opção.

Desde fevereiro de 2010, o Estado de São Paulo passou a triar os recém-nascidos para fibrose cística realizando a dosagem de uma enzima pancreática, o tripsinogênio, que está elevado no sangue dos recém-nascidos com a doença. O mês de setembro foi escolhido porque no dia 8 é celebrado o Dia Mundial da Fibrose Cística, devido à descoberta do gene anunciado em setembro de 1989.

Dra. Daniela M. F. Paes de Barros é mestre em Engenharia Biomédica pela UMC, fisioterapeuta com título de especialista em Terapia Intensiva no Adulto pela Associação Brasileira de Fisioterapia Cardiorrespiratória e Fisioterapia em Terapia Intensiva e docente e supervisora da prática fisioterapêutica em Cardiorrespiratório (UTI) da Unitau

A Fisioterapia e o tratamento das cefaleias associadas a dores no pescoço

As dores de cabeça ou cefaleias são muito comuns, e há várias causas para tal quadro. De particular interesse são aquelas cefaleias que têm origem na parte superior da coluna cervical. Isso ocorre porque os nervos oriundos desses níveis vertebrais destinam-se, em grande parte, à região posterior do crânio, à orelha e à mandíbula. A figura abaixo ilustra alguns padrões de dor, conforme descrito por Seaton.

Além de verificar a área da dor, pode-se observar o comportamento da mesma: geralmente ela está associada com posturas da cabeça que levam as vértebras cervicais superiores para o final do arco de movimento, o que resulta em estresse nos ligamentos e nas cápsulas articulares. Como exemplo dessas, pode-se mencionar as pessoas que trabalham com a cabeça em flexão por períodos prolongados, aquelas que sofrem com a posição de dormir ou assistem televisão deitadas com a cabeça no final da flexão ou inclinação, ou ainda aquelas que têm a dor após uso prolongado de computadores.

Para esses casos, a Fisioterapia desenvolve um papel fundamental para a resolução do sofrimento desses pacientes. A título de exemplo, foi publicado em 2017 numa revista muito respeitada da área, a Journal of Orthopaedics and Sports Physical Therapy, um guia de prática clínica com evidência científica de resultados positivos. São as seguintes recomendações de intervenções de dor no pescoço com cefaleias:

-Em casos agudos, os clínicos devem prover instruções supervisionadas de exercícios ativos, e podem realizar o exercício de deslizamento natural autossustentado (com abreviatura em inglês “Self-SNAG”);

-Em casos subagudos, os clínicos devem executar manipulação e mobilização cervical, e podem realizar o Self-SNAG;

Em casos crônicos, os clínicos devem executar manipulações ou mobilizações cervicais ou cervicotorácicas combinadas com exercícios para a cintura escapular e alongamentos, fortalecimentos e treino de resistência para o pescoço.

É muito gratificante saber que esses problemas têm solução, se a pessoa encontra um profissional fisioterapeuta atualizado e preparado tecnicamente para realizar esses procedimentos.

Rubens Corrêa Araujo é fisioterapeuta, mestre em Ciências (Anatomia – USP), doutor em Biodinâmica do Movimento Humano (EEFE-USP) e professor do Departamento de Fisioterapia da Unitau