#AgostoLaranja

A esclerose múltipla (EM) é uma doença inflamatória, crônica do sistema nervoso central de origem autoimune. Na EM o sistema imunológico, por razões ainda não completamente esclarecidas, ataca uma substância chamada de mielina. A mielina é uma capa lipídica que envolve os neurônios e funciona da mesma forma que o isolamento dos fios elétricos. Quando essa bainha está integra, a informação trafega de maneira rápida pelo neurônio, uma vez que percorre somente os trechos “desencapados” da célula. Quando ocorre a perda da bainha de mielina, existe um problema de comunicação entre o cérebro, a medula e outras partes do corpo. Eventualmente a doença pode lesar o próprio nervo e, nesse caso, os danos serão permanentes.

Os sinais e sintomas da EM são muito variados, assim como a gravidade da doença. Entre os sintomas podemos citar a fadiga, a dor, a perda da visão e a dificuldade de realizar movimentos por fraqueza ou incoordenação. A maior parte das pessoas com EM experimenta longos períodos de remissão da doença sem novos sintomas, mas outras podem, por exemplo, perder a capacidade de andar independentemente. No Brasil não existem dados precisos, mas estima-se que a prevalência seja de 15 a 18 casos por 100.000 habitantes. As mulheres são mais acometidas do que os homens. O diagnóstico da doença deve ser feito por um médico, preferencialmente um neurologista.

Não há cura, mas a fisioterapia e os remédios que suprimem o sistema imunológico ajudam no controle dos sintomas e podem modificar o curso da doença. Sabemos que a fisioterapia ajuda no manejo da dor, da fadiga e da mobilidade, influenciando positivamente a qualidade de vida de pessoas com a doença.

Nesse mês, entidades que apoiam portadores da doença promovem o Agosto Laranja, para aumentar o conhecimento sobre a doença. No site agostolaranja.org.br você pode encontrar mais informações sobre o assunto. Procure também pela #AgostoLaranja nas redes sociais e se informe, porque conhecimento é sempre o melhor remédio.

Karla Rodrigues Cavalcante é fisioterapeuta, mestre em Neurologia pela USP, docente e supervisora da Prática Fisioterapêutica em Neurologia Adulto da Unitau

Higiene do sono: caminho simples para melhorar a qualidade de vida

Muitos estudos científicos já evidenciaram que a falta do sono ou sua péssima qualidade são portas de entrada para diversos problemas de saúde. Segundo a AASM (Academia Americana de Medicina do Sono), um adulto deveria dormir entre 7 e 9 horas por noite. No entanto, a vida moderna traz como bagagem exigências de trabalho e de estudo que ultrapassam os limites de períodos pré-estabelecidos para tal finalidade. É comum encontrar pessoas que dedicam horas de seu descanso para finalizar tarefas do trabalho ou se privam do sono para estudar conteúdos de provas e concursos. A dificuldade em administrar a própria agenda, associada a hábitos inadequados, faz com que seja cada vez menor o número de horas dormidas todas as noites.

As principais queixas a respeito de problemas com o sono se relacionam a dificuldade de dormir, acordar no meio da noite e não conseguir retomar o sono, sensação de cansaço ao acordar e sonolência durante o dia. Indivíduos que dormem pouco e vivenciam essas queixas com muita frequência podem aumentar as chances de desenvolver doenças como: pressão alta, diabetes, obesidade, enxaquecas, ansiedade, depressão e estresse, além de favorecer, pela baixa da imunidade, o aparecimento de gripes, resfriados e outras doenças contagiosas. Além disso, pessoas que dormem mal se tornam mais irritadas, com baixa concentração e maior risco de acidentes de trabalho ou de trânsito.

O tratamento para problemas com o sono pode ser simples e barato, sem efeitos colaterais e de fácil aplicação, basta o indivíduo estar disposto a mudar pequenos hábitos do dia a dia que os resultados logo aparecerão. A esse conjunto de mudanças destinado a melhorar a qualidade do sono dá-se o nome de Higiene do Sono.

A Higiene do sono é composta por orientações simples que devem ser seguidas rigorosamente todos os dias e que podem ser colocadas em prática de forma gradativa. São elas:

1) Ordem na rotina: estabeleça horário para deitar e levantar todos os dias da semana. A rotina de horários começa a regular o relógio biológico.

2) Quarto só para dormir: utilize o quarto apenas para praticar atividades sexuais e dormir. Qualquer outra atividade como ver TV, ler, utilizar o celular ou computador deve ser feita em outro cômodo.

3) Quarto escuro e silencioso: durma sem nenhuma luz acesa. Caso não seja possível, utilize um protetor sobre os olhos para impedir a claridade. Mantenha o ambiente silencioso e tranquilo, mesmo que isso exija certa negociação com a pessoa com que divide o quarto.

4) Atenção ao colchão e aos travesseiros: o colchão deve ser firme o suficiente para não deixar o contorno do corpo desenhado ao levantar. Os travesseiros precisam ser macios e adaptados conforme a posição de dormir.

5) Adote uma rotina tranquila e relaxante antes de ir para cama. Não assista a programas de televisão que possam deixar seu sono agitado ou com pesadelos.

6) Alimentação: Tente fazer a última refeição do dia duas horas antes de dormir. Caso não seja possível, não exagere na quantidade. Evite alimentos gordurosos e de difícil digestão, dê preferência por alimentos leves.

7) Cuidado com as bebidas à noite: Não ingerir bebidas que contenham cafeína pelo menos seis horas antes de dormir. Este mesmo cuidado deve ser tomado com bebidas à base de guaraná ou outros tipos de energético, além de bebidas alcoólicas. Embora a bebida alcoólica ajude a dormir rapidamente, ela destrói o sono profundo, fazendo com que você acorde cansado. Lembre-se que o excesso de líquido à noite aumenta o número de idas ao banheiro.

8) Pare de fumar. Contudo, se você ainda fuma, evite este hábito pelo menos 4 horas antes de dormir.

9) Pratique exercícios físicos regularmente. Uma simples caminhada 3 vezes por semana de 50 minutos ou uma caminhada 5 vezes por semana de 30 minutos é o suficiente para melhorar seu sono e sua saúde. O exercício físico é muito bom, mas deve ser feito até 3 horas antes de dormir.

10) Evite dormir com animais de estimação na cama ou no quarto, eles podem atrapalhar o sono. Tenha um caderninho para anotar todos os compromissos do dia seguinte e faça isso antes de iniciar sua rotina de sono (arrumar a cama para dormir, desligar TV, computador e celular, tomar banho, etc), assim você não precisará se preocupar no momento em que deitar para dormir.

11) Se acontecer algum imprevisto e a noite de sono for ruim, ou até mesmo sem dormir, levante no dia seguinte no horário de sempre e não se poupe por isso. Trabalhe normalmente e não cochile durante o dia. O cansaço será um ingrediente maravilhoso para dormir bem.

12) Se foi deitar e perdeu o sono, não fique se esforçando na cama para dormir. Levante e vá para outro lugar da casa realizar uma atividade o deixe tranquilo. Quando o sono aparecer, vá para o quarto dormir.

Experimente começar as mudanças ainda hoje, pense nas estratégias necessárias para que este processo seja um sucesso e estabeleça metas semanais, pois alcançando gradativamente pequenas metas, o entusiasmo fará com que você persista no caminho e tenha a vitória de um sono maravilhoso e restaurador.

Elaine Cristina Alves Pereira é fisioterapeuta, mestre e doutora em Saúde Pública pela FSP/USP, docente e supervisora da prática fisioterapêutica em gerontologia, saúde da mulher e saúde coletiva da Unitau

Bronquiolite: informe-se e proteja seu filho

A bronquiolite viral é a doença respiratória mais frequente em crianças e também uma das maiores causas de internação hospitalar infantil, principalmente entre os menores de dois anos. Os sintomas são muito parecidos com os de uma gripe. Começam com complicações das vias aéreas superiores, como coriza e congestão nasal, além de febre baixa, mas acabam evoluindo para sinais de complicação pulmonar como tosse e chiado, provocando dificuldade para respirar e cansaço. Embora na maioria das vezes não haja grandes complicações, algumas crianças (principalmente os nascidos prematuros e aqueles que já têm diagnóstico de outras doenças respiratórias) têm maior probabilidade de desenvolverem uma forma mais grave da doença, chegando a necessitar de internação hospitalar.

Causada por um vírus bastante comum, o vírus sincicial respiratório, a bronquiolite é altamente transmissível e mais comum em períodos mais frios do ano. Assim, para proteção das crianças, é essencial evitar o contato delas com outras pessoas doentes, além de evitar ambientes fechados e cuidar da higiene das mãos. O aleitamento materno também é um importante fator de prevenção, uma vez que a mãe produz anticorpos que ajudam na proteção do bebê e isso pode diminuir em até 30% os riscos de internação hospitalar por doenças respiratórias.

A fisioterapia respiratória é uma das alternativas de tratamento para a bronquiolite, usada principalmente para crianças com dificuldade para respirar e para eliminar as secreções. Por meio de técnicas que não provocam dor, o fisioterapeuta auxilia a higiene das vias aéreas e facilita a passagem do ar, ajudando o bebê a respirar melhor e auxiliando no tratamento da doença. O tratamento com a fisioterapia respiratória é realizado nas crianças internadas, mas também pode ser feito pelo fisioterapeuta especializado em casa ou em clínicas e ambulatórios, inclusive na clínica de fisioterapia da Universidade de Taubaté!

Proteja e cuide do seu bebê! Esteja atento aos sinais de complicações respiratórias e conte com a fisioterapia para seu tratamento!

Amanda Lucci Franco da Matta Campos é pós-graduada em Reabilitação Neurológica Infantil pela Unicamp e especialista em Terapia Intensiva Pediátrica e Neonatal (COFFITO)