O uso do pilates clínico para pessoas com dor crônica

Quando um paciente queixoso de dor procura um fisioterapêuta, como fazê-lo entender que o movimento é o mais indicado ao invés de diminuir suas atividades diárias, ou a prática do repouso?

A educação em dor deve ser utilizada com nossos pacientes, com objetivo de diminuição da cinesiofobia, diminuição da catastrofização da dor, aumento das atitudes e comportamentos saudáveis. E uma técnica muito bem-vinda para manter o corpo desse paciente em movimento é o pilates, um tipo de exercício que pode ser desafiador, podendo aumentar a adesão do paciente à cinesioterapia e a redução de sua dor. Uma técnica desenvolvida por Joseph Pilates, baseado na contrologia, que seria uma contração da musculatura central do corpo, conhecida como CORE.

Apesar de a técnica enfatizar a contração de alguns músculos específicos, o que já é visto como uma escolha não eficaz para o tratamento de várias dores, conseguimos trabalhar com essa técnica tendo o objetivo de mostrar, através dos variados exercícios, que o corpo não é formado de estruturas frágeis, e que ele foi criado para o movimento. Aos poucos a pessoa se torna confiante, aumenta-se o grau de dificuldade dos exercícios e, quando menos se percebe, a dor vai se eliminando e alguma atividade diária que o paciente não se julgava capaz começa a ser realizada novamente.

Exercícios conseguem promover uma verdadeira reeducação dos movimentos, e ter ganhos como aumento de flexibilidade, resistência, força e diminuição da dor. O paciente trabalha o corpo como um todo, tirando o foco da doença, e passando para ganho da saúde.

Estudos como de Miyamoto GC, 2018 comprovam que a prática do pilates de no mínimo duas vezes semanais, e com mais eficiência em 3 vezes semanais, consegue uma diminuição na intensidade da dor, e com isso melhora nos hábitos de vida.

O pilates clínico pode ser uma excelente escolha para o paciente que possui dor crônica, por ser uma atividade que não se torna repetitiva e podendo ser sempre desafiadora ao paciente.

Talita de Castro Domiciano é fisioterapeuta e docente do curso de Fisioterapia da Unitau, ex-coordenadora de atendimento no Programa de Atenção a Coluna do Grupo Equality-SJC. Atua com Pilates Clínico em pacientes com dor persistente na Coluna na Pilates Method Brasil

Afogamento infantil: perigo que pode estar dentro de casa

O período de férias aproxima-se e se engana quem acha que é preciso estar no verão e frequentar praias ou piscinas para se preocupar com o perigo de afogamento e ficar atento à segurança das crianças. O afogamento é resultado de asfixia por imersão ou submersão em qualquer meio líquido, sendo provocado pela entrada de água nas vias aéreas, dificultando parcialmente ou totalmente a respiração. Assim sendo, este tipo de acidente pode ocorrer tanto em ambientes externos como praias, rios e piscinas, quanto dentro de casa, em banheiras, baldes e bacias.
Para uma criança que está começando a andar, quatro dedos de água esquecidos em um balde na lavanderia já representam perigo significativo. Apenas dois minutos submersa em uma banheira são suficientes para causar perda de consciência, e somente seis minutos podem ocasionar danos permanentes ao cérebro. Nesta faixa etária, a coordenação motora infantil, ou seja, a capacidade de controle que a criança tem sobre o seu corpo encontra-se em desenvolvimento e, portanto, ainda não possui reação física e agilidade necessária para se proteger. Além disso, meninos e meninas com até quatro anos possuem uma estrutura física desproporcional, em que o peso da cabeça pode representar até 25 % da sua massa corpórea. Essa diferença faz com que a criança se desequilibre com mais facilidade e tenha dificuldade em retomar a postura inicial.
Ao contrário do que se imagina, o afogamento ocorre de forma silenciosa e pode levar à morte ou resultar em sequelas neurológicas graves e irreversíveis, quadro que ocasiona prejuízos não apenas físicos, mas também psicossociais e econômicos. Contudo, medidas preventivas simples podem ser adotadas e praticadas para que este período seja integralmente aproveitado por toda família, são elas:
-Manter tanques, baldes, bacias e banheiras vazias após o uso;
-Trancar a porta do banheiro, mesmo que mantenha a tampa do vaso sanitário fechada;
-Procurar ter tudo em mãos na hora do banho (toalha, sabonete, roupa) para não se ausentar do local e acabar deixando a criança sozinha na banheira;
-Colocar barreiras físicas em piscinas domésticas e similares, mantendo-as adequadamente cercadas. Mesmo que a piscina possua alarme e capa protetora, evitar deixar brinquedos e outros atrativos dentro ou ao redor. Apesar destes artifícios promoverem mais proteção, não eliminam totalmente o risco de acidentes.
Lembre-se, basta haver água para que exista perigo de afogamento, por isso, nunca deixe uma criança sem a supervisão de um adulto e mantenha o número do telefone de emergência sempre visível (SAMU: 192 / Corpo de Bombeiros: 193).

Angelita de Aguiar é fisioterapeuta, especialista em neurologia funcional, mestre em Engenharia Biomédica pela Universidade do Vale do Paraíba e docente da disciplina Prática Fisioterapêutica Supervisionada em Pediatria do Departamento de Fisioterapia da Unitau