Desenvolvimento motor: estimulação em casa

Desenvolvimento motor é definido como o processo de mudanças no comportamento motor, relacionado à idade do indivíduo. Resulta da interação da hereditariedade, maturação do sistema nervoso e de outros sistemas do corpo humano, como o musculoesquelético e cardiorrespiratório e das exigências do ambiente no qual a criança vive.

Todo desenvolvimento motor realiza-se sob uma adaptação aos estímulos externos. Assim, a manipulação ou estimulação que o lactente experimenta tem papel importante na sua evolução sensório-motora, cognitiva, afetiva e social, sendo extremamente importante nos primeiros anos de vida da criança, período em que ocorrem significativas mudanças evolutivas no desenvolvimento motor.

Práticas diárias no cuidado com o lactente têm sido identificadas como um dos principais fatores influenciadores deste processo. A estimulação natural proporcionada pelos pais, realizada muitas vezes de forma não intencional, pode oferecer oportunidades de aprimoramento de suas habilidades.

Permitir livre movimentação da criança enquanto acordada, e não restringi-la a berços, carrinhos ou cercados, possibilitando a exploração do ambiente; variar a maneira de carregá-la no colo, oferecendo possibilidades de ajustes posturais diferentes; proporcionar adequado espaço e tempo para brincadeiras, com brinquedos adequados à idade e que despertem o seu interesse; incentivar a manipulação e exploração de diferentes objetos, bem como participação ativa da criança durante atividades como alimentação, higiene e vestuário; estimular diferentes modalidades sensoriais, como ao conversar, cantar, acariciar, abraçar, ajudar a criança a tocar o seu próprio corpo e a mudar de posição no espaço, são algumas sugestões para estimulação do desenvolvimento motor em ambiente domiciliar, na rotina diária.

Cada criança reage de forma única e individual aos diferentes estímulos.  Com afeto, conforto e segurança, a autonomia e independência da criança deverão ser encorajadas, à medida que novas habilidades forem conquistadas.

Juliana Cátia de Oliveira é fisioterapeuta, mestre em Distúrbios do Desenvolvimento (Universidade Presbiteriana Mackenzie), docente das disciplinas Fisioterapia em Neurologia Infantil, Desenvolvimento Neuromotor e Prática Fisioterapêutica Supervisionada em Pediatria do Departamento de Fisioterapia da Unitau

Mascar chicletes faz bem quando tenho paralisia facial?

A paralisia facial periférica é um distúrbio repentino, marcado pelo enfraquecimento ou paralisia dos músculos de um lado do rosto. Causa dificuldade para realizar movimentos simples como franzir a testa, piscar ou fechar os olhos e até mesmo sorrir.

O que muita gente não sabe que ao mascar chicletes utilizamos principalmente os músculos masséter e temporal, que não são inervados pelo nervo facial (VII par dos nervos cranianos) e sim pelo nervo trigêmio (V par dos nervos cranianos). Ou seja, não irá ajudar na recuperação da paralisia facial, além de não fazer bem  para saúde de nossos dentes. Ao mascar chicletes o individuo poderá morder as bochechas durante esse movimento, por fraqueza do músculo bucinador, esse sim inervado pelo nervo facial.

O que podemos fazer então?

Exercícios que poderão ajudar no fortalecimento muscular dos músculos acometidos pela paralisia facial, movimentos da mímica facial como, por exemplo: expressão de espanto, de mau cheiro, fechar os olhos, sorrir, soprar “língua de sogra”, fazer o bico — realizados de preferencia em frente ao espelho. Não esqueça também de proteger o olho acometido, pois ele perde a capacidade de fechar e poderá sofrer uma infecção.

O profissional fisioterapeuta pode ajudar muito neste processo de recuperação.

Fernanda Passos do Reis Ervilha é professora da disciplina de Fisioterapia Neurológica do curso de Fisioterapia da Unitau, especialista em Fisioterapia Neurológica pela FMUSP e mestre em Engenharia Elétrica Unicamp