Terapia Manual Ortopédica: um recurso valioso na Fisioterapia

Existem vários nomes para um mesmo recurso terapêutico muito utilizado na Fisioterapia: manipulações e mobilizações (vertebrais ou articulares), fisioterapia manual, fisioterapia manipulativa e terapia manual; sem mencionar aqueles que, apesar de utilizarem recursos muito parecidos, têm filosofia própria, e, por isso, podem ser considerados como áreas ou profissões a parte, como a osteopatia e a quiropraxia (como observado em outros países). No entanto, a fim de se padronizar o que se estuda cientificamente, a Fundação Internacional para Estudos de Fisioterapia Manipulativa Ortopédica (IFOMPT – abreviado do nome original em inglês) sugeriu padronizar o termo como Terapia Manual Ortopédica (TMO).

A IFOMPT define a TMO como uma área especializada da Fisioterapia para o controle de condições neuromusculoesqueléticas, baseadas em raciocínio clínico, usando abordagens de tratamento altamente específicas que incluem técnicas manuais e exercícios terapêuticos. A TMO também engloba e é dirigida por evidências científicas e clínicas disponíveis, e pelo quadro biopsicossocial de cada paciente individualmente.

Mas, como ela funciona? A TMO pode atuar em diferentes dimensões no corpo humano: psicológica, neurológica e tecidual. Na dimensão psicológica, a TMO produz respostas comportamentais, psicomotoras e psicofisiológicas, como neuroendócrinas e metabólicas, que resultam em mudanças nos níveis de percepção de dor.

Na dimensão neurológica, a TMO trata os déficits neuromusculares pós-lesão musculoesquelética, reeducação postural e de movimento, e controle da dor.

Finalmente, na dimensão tecidual, a TMO assiste no fluxo de fluídos, no reparo tecidual e na adaptação tecidual, o que, aliado às outras dimensões, propicia a recuperação da função do segmento corporal comprometido.

Na área da Fisioterapia Ortopédica, um bom profissional, que domina a TMO, contribui tanto na recuperação de um paciente que sofre de lesão(ões) que já não se pode imaginar um tratamento sem a TMO, o que tem sido observado tanto na área clínica, pelos resultados obtidos com os pacientes, como na ciência, conforme reportado em inúmeras publicações científicas.

Rubens Corrêa Araujo é fisioterapeuta, mestre em Ciências (Anatomia – USP), doutor em Biodinâmica do Movimento Humano (EEFE-USP) e professor do Departamento de Fisioterapia da Unitau.

Vivendo com ASMA sem prejuízos na qualidade de vida: SIM, é possível!

A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas, que causa edema e aumento da quantidade de secreção no pulmão. A inflamação crônica está associada ao aumento da resposta de contração dos músculos das vias aéreas, o que causa episódios frequentes de chiado no peito, falta de ar, dor no peito e tosse. Os sintomas da asma ocorrem principalmente à noite ou no início da manhã.

A asma acomete adultos e crianças, sendo uma doença muito comum no Brasil, responsável por um grande número de internações nos hospitais e por um elevado gasto com medicamentos.

Vários fatores são responsáveis por desencadear as crises de asma, entre eles: poeira, mofo, fumaça de cigarro, pelos de animais, cheiros fortes, poluição do ar, mudança de temperatura, fatores emocionais e exercício físico. Vale lembrar que o principal fator causador da doença é o fator genético, portanto trata-se de uma doença que é transmitida de pais para filhos ou mesmo de parentes mais distantes, como avós.

O diagnóstico da doença deve ser realizado o mais rápido possível. Dessa forma, quando as pessoas sentem alguns dos sintomas descritos devem procurar o médico a fim de fazer o diagnóstico de asma. Quanto mais breve se faz o diagnóstico da doença, mais rápido se inicia o tratamento medicamentoso e, com isso, as crises podem ser espaçadas e amenizadas. As pessoas não devem ser resistentes aos tratamentos medicamentosos propostos para a asma, pois atualmente a assistência farmacológica é capaz de oferecer várias possibilidades de tratamentos.

Quando as crises diminuem, os asmáticos são capazes de viver com maior conforto respiratório, realizar atividades físicas, praticar esportes e manter suas atividades diárias de maneira habitual. A falta de controle da asma causa prejuízos na qualidade de vida dos portadores da doença, com afastamentos do trabalho, da escola e da vida social.

Portanto, para se possam unir qualidade de vida e asma, os asmáticos devem manter a doença controlada, com espaçamento e maior intervalo possível entre as crises, fazendo o possível para que a doença permaneça estabilizada. Para isso a manutenção do tratamento medicamentoso mesmo fora das crises, a realização de exercícios respiratórios e a participação em programas de reabilitação pulmonar são capazes de promover a estabilização da doença e assim fazer com que os asmáticos tenham uma boa qualidade de vida.

Sabrina Pinheiro Tsopanoglou é fisioterapeuta, mestre e doutora em Ciências da Saúde aplicadas à Pediatria pela Unifesp-EPM. Docente da disciplina de Fisioterapia Cardiorrespiratória em Pediatria e supervisora de Prática Fisioterapêutica Supervisionada Hospitalar em enfermaria adulto e pediátrica da Unitau.