Prazer, me chamo Fibro Edema Gelóide, mas sou conhecida como “celulite”

A palavra “celulite” significa inflamação do tecido subcutâneo e pode designar uma infecção bacteriana, algo que não está presente na popular “celulite” que incomoda tanto as mulheres. Atualmente a definição mais aceita para o termo “celulite” é Fibro Edema Gelóide (FEG), por abranger melhor seu processo de formação. Inicia na derme, em específico na substância fundamental amorfa (SFA), onde se localizam as células de gordura, as fibras colágenas, os vasos sanguíneos e os fibroblastos. Sua consistência é gelatinosa e tende a endurecer quando há acúmulo de resíduos na região. Apresenta-se em forma de nódulos ou placas, que podem ser vistas a olho nu com aspecto de casca de laranja ou saco de nozes. Preferencialmente, acomete as mulheres em região de glúteos, culotes, região interna da coxa e abdômen e, em graus avançados, pode causar dor pela compressão de terminações nervosas locais, comprometendo a qualidade de vida. Hereditariedade, sexo, desequilíbrio metabólico e circulatório, estresse, fumo, sedentarismo e maus hábitos alimentares originam a causa multifatorial da FEG.

Muitos tratamentos são sugeridos no mercado, mas é preciso ter cuidado e avaliar com senso crítico. A fisioterapia contribui com muitas propostas, incluindo um protocolo clínico que envolve uma boa avaliação e a utilização de diversos recursos como as correntes eletroterapêuticas, que atuam na introdução de íons cosméticos, no efeito analgésico quando necessário e no fortalecimento muscular; o ultrassom terapêutico, que reorganiza e aumenta a extensibilidade das fibras colágenas; o laser com ação anti edematosa e fibrinolítica; e a massagem, principalmente de drenagem linfática, que tem como objetivo básico drenar o excesso de líquido acumulado no tecido.

Por fim, o tratamento da FEG é multidisciplinar, combinado com outras áreas de atuação como a medicina, educação física e nutrição.  No entanto, para que o tratamento seja satisfatório e tenha bons resultados, deve ser feito com completa orientação profissional ao indivíduo, pois, se a FEG for abrandada e os maus hábitos persistirem, os resultados serão transitórios.

Nadiely S. Barros Diniz é fisioterapeuta formada pela PUC-Campinas, técnica em Estética Corporal e Facial pelo Senac Campinas, Especialista em Fisioterapia Dermato-Funcional pela Unicid, Especialista e Mestre em Fisiologia do Exercício pela Unifesp. É também professora da disciplina de Fisioterapia Dermato-Funcional da Unitau

Você sabia que a incontinência urinária tem tratamento?

A perda involuntária de urina não é uma condição normal nem mesmo consequência da idade, embora seja frequente entre as mulheres, principalmente ao redor da menopausa.

O escape de urina pode acontecer em situações de esforço como atividades físicas, tossir, espirrar, carregar peso, entre outras, ou ainda após um desejo forte de urinar. Esse desconforto não expõe as mulheres a risco, mas apresenta um significativo impacto no cotidiano feminino.

Porém, muitas mulheres não se queixam desse problema ao seu médico, muitas vezes por constrangimento em declará-lo ou por pensar que é um problema inerente à idade, ou ainda se adaptar ao desconforto e conviver com ele por longos anos.

A fisioterapia, que inclui os exercícios para músculos do assoalho pélvico (responsáveis por controlar a abertura e fechamento da uretra) e o treinamento da bexiga, é, em geral, a primeira abordagem no cuidado desse problema.

Deixo aqui algumas dicas para uma “bexiga saudável”:

-Observe e anote o comportamento da sua bexiga (Quantas vezes você esvazia a bexiga por dia? Você acorda à noite por causa da vontade de urinar? Se há escapes de urina, quando eles acontecem? O que você tem deixado de fazer por este problema?);

-Faça intervalos regulares para esvaziar a bexiga, entre duas e quatro horas (no máximo);

-Diminua ou elimine a ingesta de alimentos ou líquidos irritantes à bexiga, como frutas cítricas e ácidas, além da cafeína;

-Beba aproximadamente 6 copos de água diariamente;

-Reduza os líquidos ingeridos 3 a 4 horas antes de dormir, para evitar acordar à noite para urinar;

-Faça dieta rica em fibra e mantenha-se ativo para garantir regularidade intestinal;

-Controle o peso e o hábito de fumar.

Em caso de dúvidas, procure um fisioterapeuta!!!

A professora Máyra Cecilia Dellú é fisioterapeuta, doutora em ciências pela Faculdade de Saúde Pública da USP, supervisora da Prática Fisioterapêutica em Saúde da Mulher e Diretora do Curso de Fisioterapia da Unitau

Gestação de alto risco: atenção e cuidados que a mulher precisa ter!

A gravidez é um período da vida da mulher repleto de transformações, dúvidas e preparações. Segundo o Ministério da Saúde, toda gestação traz em si risco para a mãe ou feto. Em 15% delas esse risco está aumentado — são as chamadas gestações de alto risco .

O que é gestação de alto risco? É definida a gestação na qual a vida ou a saúde da mãe e/ou do feto e/ou do recém-nascido têm maiores chances de serem atingidas que as da média da população.

E quais são os fatores que levam a uma gestação de alto risco? Diversos. Alguns podem já estar presentes mesmo antes da concepção, outros ocorrem durante a gestação, incluindo desde características maternas, sociais e partos anteriores, até doenças obstétricas atuais.

Os mais frequentes são: características individuais (idade materna menor que 17 e maior que 35 anos, dependência de drogas, entre outros); condições sócio demográficas desfavoráveis (situação conjugal insegura e baixa escolaridade); história reprodutiva prévia (abortamento habitual, esterilidade/infertilidade); doenças obstétricas; e gestação gemelar.

Entretanto, mesmo com o diagnóstico de alto risco, é possível a mulher passar os nove meses de gravidez de maneira saudável. Para isso, se torna imprescindível o reforço dos cuidados básicos.

Quais cuidados que a mulher deve ter ? Os cuidados essenciais são: não faltar nas consultas pré-natais, para melhor acompanhamento do desenvolvimento do bebê e monitorar a saúde da mulher; o repouso somente deverá ser realizado quando indicado pelos profissionais da saúde; não consumir bebidas alcoólicas nem fumar, controlar o peso tanto da mamãe quanto do bebê; ter uma alimentação saudável, além de beber muita água e realizar exercícios.

Sim, a mulher pode e deve fazer exercícios, desde que liberada. Ou seja, o obstetra determina a liberação, e o fisioterapeuta avalia e monitora as alterações físicas das gestantes dentro de suas restrições, prescrevendo exercícios específicos ou posições, garantindo que ela realize as atividades de vida diária e físicas sem riscos.

Além dos cuidados essenciais, a procura por informação fidedigna deve ser constante, pois com conhecimento a ansiedade, o estresse e o medo podem ser diminuídos, e mamãe e bebê terão nove meses de convívio tranquilos. Afinal, só diz que o amor não enche barriga quem nunca esteve grávida!

Wendry Maria Paixão Pereira é mestre e doutora em Saúde Pública pela FSP/USP, docente e supervisora da prática fisioterapêutica em Gerontologia, Saúde da Mulher e Saúde Coletiva da Unitau