O respirador oral e a postura

Você já deve ter observado que algumas crianças ou até adultos respiram a maior parte do tempo pela boca. Pode também ter notado que estas pessoas apresentam algumas características semelhantes: estes indivíduos têm a chamada síndrome do respirador bucal ou oral, um conjunto de sinais e sintomas decorrentes de alterações que podem ocorrer nas vias aéreas superiores. Existe o respirador oral orgânico, que é aquele que apresenta obstrução nasal mecânica à entrada de ar; o respirador oral funcional, que não possui obstrução nasal, mas permanece com o hábito; e ainda há o respirador oral neural, como indivíduos com paralisia cerebral e síndrome de Down, devido à hipotonia dos lábios, que ficam entreabertos.

A criança que cresce respirando pela boca não tem o estímulo correto ao crescimento das estruturas ósseas craniofaciais, o que leva a apresentar alterações da forma do nariz, olheiras, mordida aberta anterior, mordida cruzada posterior, como também alterações no crescimento da face ou hipotonia labial, com aparências de lábios grossos. Elas também tendem a anteriorizar a cabeça, para buscar e facilitar a entrada do ar para os pulmões; assim, consequentemente o tronco irá assumir uma nova posição e a coluna cervical adotará uma postura compensatória, desencadeando o efeito de cascata de má postura e o desequilíbrio.

O principal objetivo da fisioterapia é a reeducação da respiração, através do estímulo ao tipo respiratório nasal, e corrigir as alterações posturais causadas pela respiração bucal, diminuindo assim o gasto de energia, melhorando a ventilação pulmonar e corrigindo as alterações do tórax. Se você respira pela boca ou conhece alguém que o faz, procure o quanto antes tratamento, pois quanto mais precoce, melhores serão os resultados.

Tatiane Lopes Patrocínio da Silva é fisioterapeuta graduada pela Ufscar, mestre em Fisioterapia e doutora em Biotecnologia pela Ufscar e docente na área de Cardiorrespiratória na Unitau

Corrida e lesões musculoesqueléticas: quais os verdadeiros fatores de risco?

O número de praticantes de corrida vem crescendo consideravelmente no Brasil e no mundo. Por se tratar de uma modalidade esportiva de baixo custo e fácil execução, muitas pessoas adotam a corrida como atividade física regular. Entre os benefícios adquiridos pode-se destacar a diminuição do desenvolvimento de doenças como a diabetes do tipo II, o derrame, a hipertensão e diversos tipos de câncer. Contudo, o risco de desenvolvimento de lesões musculoesqueléticas gera preocupação entre os corredores.

Dicas provenientes de diferentes fontes trazem conselhos e soluções para prevenção de lesões. O tênis esportivo e o alongamento muscular se destacam como os dois principais temas. O alongamento, realizado antes ou após a corrida, não previne o desenvolvimento de lesões. O tipo de tênis, o tipo de pisada, o amortecimento e o desgaste do calçado são fatores que não podem ser responsabilizados. O conforto proporcionado pelo calçado esportivo é o principal parâmetro a ser considerado para escolha do tênis para correr. Mas o que a literatura científica aponta como fator de risco para desenvolvimento de lesões na corrida?

Lesões pré-existentes, ou seja, lesões prévias, especialmente aquelas que ocorreram nos último 12 meses. Neste caso, nota-se a importância de dois fatores. O primeiro refere-se à recuperação completa de qualquer patologia. Além do tratamento adequado, busque incluir dentro da rotina de treinamento o trabalho específico para as estruturas acometidas por lesões anteriores. O segundo fator refere-se à intensidade do treinamento. As lesões esportivas são consideradas como fruto de micro traumas de repetição sobre os tecidos corporais. Na prática esportiva a sobrecarga sobre o aparelho locomotor é responsável por gerar diversas adaptações positivas, como o aumento da massa óssea resultante do impacto do pé com o solo. Contudo, se a sobrecarga extrapolar o limite das estruturas corporais, ocorrem adaptações negativas, como as lesões. Assim, o volume e a frequência do treino, ou seja, a intensidade, e também do repouso, devem ser planejados e executados adequadamente.

Em ambos os casos a melhor dica é: invista na sua saúde. Busque treinamento e tratamento para as eventuais lesões com profissionais que utilizam conhecimento pautado nas melhores evidências científicas.

Alex Sandra Oliveira de Cerqueira Soares é mestre em Biodinâmica do Movimento Humano e doutora em Ciências em ambos os casos pela Escola de Educação Física e Esporte da USP (Universidade de São Paulo). Atualmente é docente das disciplinas e da prática fisioterapêutica supervisionada na área de Fisioterapia Ortopédica, Traumatológica e Esportiva no Departamento de Fisioterapia da Unitau (Universidade de Taubaté).