Fisioterapia na Apneia do Sono

O hábito de roncar durante a noite anda incomodando muitas pessoas. Você sente sono durante o dia, parece sempre cansado, acorda com dor de cabeça, anda irritado e com esquecimentos? Estes podem ser sintomas da apneia do sono (AOS), um distúrbio que compromete a qualidade de vida e eleva os riscos para o desenvolvimento de problemas cardíacos, diabetes e outras doenças.

Existem três tipos, sendo a mais comum a apneia obstrutiva do sono, causada por uma obstrução nas vias aéreas superiores (nariz ou garganta). Esse estreitamento provoca uma vibração na garganta, que gera o barulho do ronco, e está associado a deformidades na anatomia dessa região e também ao aumento das amígdalas e/ou adenoides. Já a apneia central do sono, mais rara, se deve a alterações no centro respiratório do cérebro. Suas principais causas são doenças cardíacas avançadas, uso de remédios para dor do tipo opióide e doenças neurológicas, como traumas e Acidente Vascular Encefálico (AVE). A menos comum é a apneia mista, que tem como causa uma mistura das outras duas.

Com as pausas na respiração, pode acontecer a elevação da frequência cardíaca e o estímulo à contração dos vasos sanguíneos para levar mais sangue oxigenado para as demais áreas do corpo. Esse esforço pode gerar arritmias cardíacas e hipertensão arterial. Além disso, a apneia do sono aumenta os riscos de desenvolver diabetes tipo 2, por favorecer o acúmulo de gordura abdominal e contribuir para o desenvolvimento da resistência à insulina.

O diagnóstico é realizado pelo exame de polissonografia, que avalia a qualidade do sono, a quantidade de apneias durante o sono e o tipo (se obstrutiva ou central). A partir deste exame consegue-se determinar, por exemplo, o Índice de apneia/hipopneia (AHI), e assim realiza-se sua classificação e direcionamento do tratamento, sendo:
-AHI 5-15: Apneia do Sono Leve
-AHI 15-30: Apneia do Sono Moderada
-AHI >30: Apneia do Sono Grave

Os casos mais leves de AOS podem ser tratados com algumas mudanças de hábitos, tais como reduzir o consumo de calorias, cessar o tabagismo, respeitar o número adequado de horas de sono e evitar uso de TV, computador e celulares próximo da hora de dormir.

Geralmente, a ventilação não invasiva é o tratamento mais comum, indicado nos quadros de AOS moderada a grave, com base no exame de polissonografia. CPAP é uma abreviatura do termo inglês Continuous Positive Airway Pressure (pressão positiva contínua nas vias aéreas). O aparelho fornece pressão de ar por meio de uma máscara via nasal ou oronasal. Ainda pode-se recorrer ao BIPAP (Bilevel Positive Airway Pressure), que funciona da mesma maneira que o CPAP, sendo que o BIPAP ajusta a pressão de ar de forma automática, fazendo pressões diferentes na inspiração e expiração.

O CPAP com máscara nasal é o tratamento de primeira linha para AOS, mas máscaras oronasais são frequentemente utilizadas na prática clínica. Um estudo recente, publicado no periódico Chest, comparou os dois tipos de máscara e concluiu que, em geral, a máscara oronasal foi associada a um nível mais elevado de CPAP; em média +1,5 cm H2O e maior IAH residual; em média, +2,8 eventos/h e pior adesão ao tratamento; em média -48 min/noite.

Se você foi diagnosticado com AOS procure um fisioterapeuta, que ele te ajudará com a mudança de hábitos e ajustes do equipamento de ventilação não invasiva, bem como com a escolha da melhor interface (nasal ou oronasal) para seu tratamento.

Tatiane Lopes Patrocínio da Silva é fisioterapeuta graduada pela Ufscar, mestre em Fisioterapia e doutora em Biotecnologia pela Ufscar e docente na área de Cardiorrespiratória na Unitau

Hérnia de disco: será que eu tenho isso mesmo?

Hoje em dia está cada vez mais comum escutarmos que alguém tem problemas nas costas em decorrência de uma hérnia de disco. Será que este é o grande problema da atualidade, que tem causado as famosas lombalgias?

A ciência nos diz que definitivamente não. A tal hérnia de disco afeta no máximo 5% de todo mundo que tem dores nas costas. Sim! Poucas são as pessoas que possuem dores nesta região que são causadas por uma hérnia.

Mas por que escutamos muitas pessoas falando que têm este problema? Discute-se profundamente este assunto e tem-se percebido que muitos pacientes com dores nas costas são mal diagnosticados. Como assim? Olha que interessante! Atualmente, tornou-se rotineiro um profissional da área da saúde requisitar um pedido de ressonância nuclear magnética ao paciente. Após a realização deste exame, o laudo do médico geralmente mostra várias características encontradas nas imagens, dentre elas, comumente verifica-se a hérnia de disco. No entanto, estudos têm demonstrado que mesmo pessoas que nunca tiveram dores nas costas, quando submetidas a uma ressonância nuclear magnética, também apresentam hérnias de disco. Sim, a tal hérnia de disco pode não ser o problema de muitos.

Renato José Soares é doutor em Biomecânica do Movimento pela USP e supervisor da Prática Fisioterapêutica em Ortopedia e Traumatologia da Unitau

Saúde do homem: muito além do câncer de próstata

Chegamos em mais um novembro azul, um movimento internacional que visa a conscientização do câncer de próstata. Uma campanha mundial que recebeu o nome de Movember, que alerta sobre a importância do diagnóstico e rastreio precoce.

Esta campanha começou na Austrália em 2003, com um grupo de amigos que resolveram deixar o bigode crescer — algo que não estava na moda – com o objetivo de chamar a atenção para a saúde masculina. A ideia ganhou adeptos e se tornou um evento mundial, que atualmente é realizado em 20 países, inclusive no Brasil.

Entretanto, a saúde do homem deve ser vista de maneira mais ampla do que somente abordagens ao câncer de próstata. Por isso, em 2009 o Ministério da Saúde criou e publicou a PNAISH (Política Nacional de Atenção Integral da Saúde do Homem).

A iniciativa é uma resposta do Ministério da Saúde em relação aos agravos que ocorrem com indivíduos do sexo masculino, principalmente entre 20 a 59 anos, uma vez que estes são um problema de saúde pública. Afinal, segundo dados nacionais, a cada três mortes de pessoas adultas, duas são de homens. Contudo esta politica tem como objetivo promover ações diretas de saúde que contribuam para uma compreensão da realidade masculina nos seus diversos contextos sociais, culturais, econômicos e políticos.

A PNAISH é estruturada em cinco eixos: acesso e acolhimento, saúde sexual e reprodutiva, paternidade e cuidado, doenças prevalentes na população masculina e prevenção de violências e acidentes, respeitando os diferentes níveis de desenvolvimento e organização dos sistemas locais de saúde e tipos de gestão de estados e municípios.

Desta forma, temos que aproveitar o mês de novembro para chamar a atenção para a saúde integral dos homens, ou seja, dar ênfase também a outras morbidades que são prevalentes no homem – como, por exemplo, as doenças cardiovasculares, em que a incidência é maior nos homens, especialmente em idades mais jovens, até aos 50 anos; as pulmonares relacionadas ao tabagismo.

Como profissionais da saúde, temos que incentivar o cuidado e a prevenção na população masculina, conscientizar e emponderar os homens em relação ao autocuidado com sua saúde, pois diversos fatores contribuem para a não adesão às medidas de promoção à saúde, entre eles o padrão cultural.

Padrão este que chamamos de estereótipo de masculinidade: o homem foi criado ao longo de décadas para ser forte, para não admitir o sentimento de fragilidade que uma doença possa trazer. Assim, os profissionais de saúde precisam sensibilizar os homens para o reconhecimento de suas condições sociais e de saúde e auxiliar nesta quebra de tabu.

Ainda deve-se considerar que muitos homens não procuram atendimento na atenção básica devido a incompatibilidade de horário das unidades de saúde com a jornada ocupacional, algo que necessita ser revisto por gestores a fim de contemplar a universalidade e integralidade.

Em suma, a Politica de Atenção a Saúde do Homem reforça e deve ser entendida como um conjunto de ações de promoção, prevenção, assistência e recuperação da saúde, executadas com base nos princípios do Sistema Único de Saúde, direcionadas ao homem. Com a capacidade de incluí-los nos serviços ofertados contribuindo para quebrar o paradigma cultural da masculinidade e promovendo uma melhor qualidade de vida para este grupo populacional de maneira integral.

Wendry Maria Paixão Pereira é mestre e doutora em Saúde Pública pela FSP/USP, docente e supervisora da prática fisioterapêutica em Gerontologia, saúde da mulher e saúde coletiva da Unitau

Prevenção de obesidade infantil

Atualmente na América Latina, uma em cada cinco pessoas com menos de 20 anos já apresenta sobrepeso ou obesidade, doença que traz outros sérios problemas de saúde, segundo a ABESO (Associação Brasileira para Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica).

A obesidade não é mais um problema apenas estético, que pode incomodar pelas “brincadeiras de mau gosto” dos colegas. Ela é uma doença capaz de provocar o surgimento de vários outros problemas, como aumento de colesterol e triglicerídeos, diabetes, doenças cardíacas, doenças respiratórias, alterações articulares e dor, dificuldade em participar de diversas atividades – como as aulas de educação física ou até mesmo atividades diárias. Além de tudo isso, ainda ocorre a má formação do esqueleto e doenças emocionais como depressão ou aumento de ansiedade de difícil controle.

Diversos motivos podem interferir no acúmulo de gordura, sobrepeso e obesidade. As crianças em geral ganham peso com facilidade devido a vários fatores como: hábitos alimentares errados, inclinação genética, estilo de vida sedentário, distúrbios psicológicos, problemas na convivência familiar, entre outros.

Sabemos que uma criança acima do peso está muito mais propícia a ter sobrepeso ou obesidade na vida adulta, pois ocorrem mudanças metabólicas, alterações no controle da fome e saciedade, além de registro cerebral no tamanho e quantidade de células de gordura, que são determinantes na facilidade em ganho de peso.

Por tudo isso a melhor maneira de se prevenir a obesidade é a mudança no estilo de vida, levando em consideração o equilíbrio entre alimentação saudável e exercícios físicos, que irão auxiliar diretamente no desenvolvimento emocional correto deste indivíduo.

A criança deve brincar, pular, dançar, se divertir e ser estimulada a atividades todos os dias. Deve também ser apresentada a variedade de alimentos com frequência, uma vez que o paladar também vai evoluindo e mudando com o passar do tempo. Os pais devem estar sempre atentos e por perto para evitar tempo prolongado em frente ao computador, videogames, entre outros, e também ao exagerado consumo de alimentos gordurosos, frituras e refrigerantes.

Participar de perto da vida das crianças é fundamental para ensiná-las a criar hábitos saudáveis que irão ajudá-las a se manter dentro do peso ideal na fase adulta e entender que o equilíbrio é importante para a saúde!

Procure sempre profissionais que podem te orientar, prevenir e ajudar no controle de sintomas!

A obesidade é uma doença séria, crônica e multifatorial que deve ser, prevenida e bem tratada.

Karla Garcez Cusmanich é mestre em Reumatologia pela USP, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, fisioterapeuta certificada pela Surgical Review Corporation como especialista em cuidados bariátricos- Bariatric Specialist Care SRC, professora e supervisora da Prática Fisioterapêutica em Cardiorrespiratória da Unitau

Câncer de Mama: o que a Fisioterapia tem a dizer sobre isso?

Neste mês, em apoio ao “Outubro Rosa”, nós fisioterapeutas intensificamos e estendemos as orientações para a observação e autopalpação das mamas pelas mulheres, sempre que se sentirem confortáveis e a qualquer tempo, reafirmando a importância do diagnóstico precoce como a maior ferramenta de cura na atualidade.

Segundo levantamento do INCA (Instituto Nacional de Câncer), na maior parte dos casos os sinais e sintomas do câncer de mama, incluindo a doença em estágio inicial e intermediário, são identificados pela própria mulher durante o autotoque. O próprio indivíduo, ao avaliar-se, consegue reconhecer a alteração anormal da mama e buscar ajuda profissional. A partir do diagnóstico de câncer de mama e da necessidade de ressecção cirúrgica do tumor e/ou da mama (mastectomia), é frequente a procura pela abordagem fisioterapêutica.

Algumas complicações podem surgir no braço do lado operado, como dor, limitação do movimento, formigamento, dormência e inchaço. Essas complicações são comuns no período pós-operatório, mas, mesmo assim, é possível prevenir e diminuir esses sintomas. Entre as dicas estão: não dormir sobre o lado operado e evitar movimentos repetitivos e com peso. Tendo em vista não somente a recuperação física, mas também a prevenção de complicações e a reintegração da mulher as atividades cotidianas e ocupacionais, o fisioterapeuta, com um conjunto de possibilidades terapêuticas, exerce um papel fundamental na vida da mulher em tratamento contra o câncer de mama, contribuindo para o retorno mais rápido da sua condição funcional e da sua qualidade de vida. Previna-se, informe-se e procure um fisioterapeuta!!

Link importante: http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/tiposdecancer/site/home/mama/deteccao_precoce

Máyra Cecilia Dellú é fisioterapeuta, doutora em Ciências pela Faculdade de Saúde Pública da USP e diretora do Departamento de Fisioterapia da Universidade de Taubaté.

Fibrose o quê? Fibrose Cística!

A Fibrose Cística (FC), também conhecida como Mucoviscidose ou Doença do Beijo Salgado (por conta da eliminação em excesso do sal pelo suor, ao ponto das outras pessoas sentirem o “sabor salgado”), é uma doença genética e hereditária, ou seja, passa de pai/mãe para filho. Os pais são normais, mas portadores e ambos transmitem, geneticamente. Sua principal característica é o acúmulo de secreções (catarro) mais espessas nos pulmões. Esse excesso de secreção pode causar infecções pulmonares e colocar a vida do paciente em risco.

A maioria das crianças com fibrose cística é diagnosticada até os dois anos de idade, pois podem apresentar sintomas já no primeiro mês de vida, como dificuldade para ganhar peso, fezes gordurosas e com odor “podre”, tosse seca evoluindo para produtiva (com secreções). No entanto, um número menor, só é diagnosticado com 18 anos ou mais. Acredita-se que apenas 30 ou 40% das mulheres não conseguem engravidar e só 2% dos homens conseguem se tornar pais biológicos.

Os exames que os médicos costumam pedir para identificar a fibrose cística são: teste do pezinho, teste do suor e teste genético. O teste do suor é feito para identificar a quantidade de sal no suor. Ele pode ser realizado também em crianças e adultos.

A expectativa de vida depende das características do paciente, do acesso a cuidados médicos e medicações. Os pacientes apresentam manifestações clínicas variáveis. A doença pulmonar produz sequelas, lesões destrutivas das paredes brônquicas que se instalam precocemente e são irreversíveis. Alguns pacientes com formas leves da doença podem atingir a adolescência e início da vida adulta com diagnóstico errado de asma e sinusites de difícil tratamento. Hoje em dia, a qualidade de vida dos pacientes é bem melhor. Na maioria dos países da União Europeia e América da Norte, a média de idade em que ocorre a morte é em torno dos 28 anos. Para os pacientes nascidos nos últimos 15 anos, a expectativa de vida supera os 50 anos. Acredita-se que é a doença rara mais comum e afeta cerca de 85.000 indivíduos no mundo. No Brasil, uma pessoa a cada 10 mil é afetada.

A fibrose cística ainda não é curável e o tratamento visa melhorar a qualidade de vida e retardar a progressão da doença. Novas drogas foram introduzidas para o tratamento da doença. Além disso, é de fundamental importância o acompanhamento fisioterapêutico no sentido de melhorar a qualidade de vida, identificar possíveis variações respiratórias, preparar para um possível transplante pulmonar e realizar o pós-operatório. Diversos tratamentos podem ser feitos para a FC além da fisioterapia respiratória. Para as crianças, é fundamental ficar de olho na alimentação, para que elas sempre fiquem nutridas. O tratamento é feito com medicamentos para melhorar a respiração, dieta rica em proteínas e calorias, utilizar suplementos vitamínicos e antibióticos para prevenir e tratar as infecções pulmonares. Quando o caso for muito grave, o transplante de pulmão é uma opção.

Desde fevereiro de 2010, o Estado de São Paulo passou a triar os recém-nascidos para fibrose cística realizando a dosagem de uma enzima pancreática, o tripsinogênio, que está elevado no sangue dos recém-nascidos com a doença. O mês de setembro foi escolhido porque no dia 8 é celebrado o Dia Mundial da Fibrose Cística, devido à descoberta do gene anunciado em setembro de 1989.

Dra. Daniela M. F. Paes de Barros é mestre em Engenharia Biomédica pela UMC, fisioterapeuta com título de especialista em Terapia Intensiva no Adulto pela Associação Brasileira de Fisioterapia Cardiorrespiratória e Fisioterapia em Terapia Intensiva e docente e supervisora da prática fisioterapêutica em Cardiorrespiratório (UTI) da Unitau

A Fisioterapia e o tratamento das cefaleias associadas a dores no pescoço

As dores de cabeça ou cefaleias são muito comuns, e há várias causas para tal quadro. De particular interesse são aquelas cefaleias que têm origem na parte superior da coluna cervical. Isso ocorre porque os nervos oriundos desses níveis vertebrais destinam-se, em grande parte, à região posterior do crânio, à orelha e à mandíbula. A figura abaixo ilustra alguns padrões de dor, conforme descrito por Seaton.

Além de verificar a área da dor, pode-se observar o comportamento da mesma: geralmente ela está associada com posturas da cabeça que levam as vértebras cervicais superiores para o final do arco de movimento, o que resulta em estresse nos ligamentos e nas cápsulas articulares. Como exemplo dessas, pode-se mencionar as pessoas que trabalham com a cabeça em flexão por períodos prolongados, aquelas que sofrem com a posição de dormir ou assistem televisão deitadas com a cabeça no final da flexão ou inclinação, ou ainda aquelas que têm a dor após uso prolongado de computadores.

Para esses casos, a Fisioterapia desenvolve um papel fundamental para a resolução do sofrimento desses pacientes. A título de exemplo, foi publicado em 2017 numa revista muito respeitada da área, a Journal of Orthopaedics and Sports Physical Therapy, um guia de prática clínica com evidência científica de resultados positivos. São as seguintes recomendações de intervenções de dor no pescoço com cefaleias:

-Em casos agudos, os clínicos devem prover instruções supervisionadas de exercícios ativos, e podem realizar o exercício de deslizamento natural autossustentado (com abreviatura em inglês “Self-SNAG”);

-Em casos subagudos, os clínicos devem executar manipulação e mobilização cervical, e podem realizar o Self-SNAG;

Em casos crônicos, os clínicos devem executar manipulações ou mobilizações cervicais ou cervicotorácicas combinadas com exercícios para a cintura escapular e alongamentos, fortalecimentos e treino de resistência para o pescoço.

É muito gratificante saber que esses problemas têm solução, se a pessoa encontra um profissional fisioterapeuta atualizado e preparado tecnicamente para realizar esses procedimentos.

Rubens Corrêa Araujo é fisioterapeuta, mestre em Ciências (Anatomia – USP), doutor em Biodinâmica do Movimento Humano (EEFE-USP) e professor do Departamento de Fisioterapia da Unitau

#AgostoLaranja

A esclerose múltipla (EM) é uma doença inflamatória, crônica do sistema nervoso central de origem autoimune. Na EM o sistema imunológico, por razões ainda não completamente esclarecidas, ataca uma substância chamada de mielina. A mielina é uma capa lipídica que envolve os neurônios e funciona da mesma forma que o isolamento dos fios elétricos. Quando essa bainha está integra, a informação trafega de maneira rápida pelo neurônio, uma vez que percorre somente os trechos “desencapados” da célula. Quando ocorre a perda da bainha de mielina, existe um problema de comunicação entre o cérebro, a medula e outras partes do corpo. Eventualmente a doença pode lesar o próprio nervo e, nesse caso, os danos serão permanentes.

Os sinais e sintomas da EM são muito variados, assim como a gravidade da doença. Entre os sintomas podemos citar a fadiga, a dor, a perda da visão e a dificuldade de realizar movimentos por fraqueza ou incoordenação. A maior parte das pessoas com EM experimenta longos períodos de remissão da doença sem novos sintomas, mas outras podem, por exemplo, perder a capacidade de andar independentemente. No Brasil não existem dados precisos, mas estima-se que a prevalência seja de 15 a 18 casos por 100.000 habitantes. As mulheres são mais acometidas do que os homens. O diagnóstico da doença deve ser feito por um médico, preferencialmente um neurologista.

Não há cura, mas a fisioterapia e os remédios que suprimem o sistema imunológico ajudam no controle dos sintomas e podem modificar o curso da doença. Sabemos que a fisioterapia ajuda no manejo da dor, da fadiga e da mobilidade, influenciando positivamente a qualidade de vida de pessoas com a doença.

Nesse mês, entidades que apoiam portadores da doença promovem o Agosto Laranja, para aumentar o conhecimento sobre a doença. No site agostolaranja.org.br você pode encontrar mais informações sobre o assunto. Procure também pela #AgostoLaranja nas redes sociais e se informe, porque conhecimento é sempre o melhor remédio.

Karla Rodrigues Cavalcante é fisioterapeuta, mestre em Neurologia pela USP, docente e supervisora da Prática Fisioterapêutica em Neurologia Adulto da Unitau

Higiene do sono: caminho simples para melhorar a qualidade de vida

Muitos estudos científicos já evidenciaram que a falta do sono ou sua péssima qualidade são portas de entrada para diversos problemas de saúde. Segundo a AASM (Academia Americana de Medicina do Sono), um adulto deveria dormir entre 7 e 9 horas por noite. No entanto, a vida moderna traz como bagagem exigências de trabalho e de estudo que ultrapassam os limites de períodos pré-estabelecidos para tal finalidade. É comum encontrar pessoas que dedicam horas de seu descanso para finalizar tarefas do trabalho ou se privam do sono para estudar conteúdos de provas e concursos. A dificuldade em administrar a própria agenda, associada a hábitos inadequados, faz com que seja cada vez menor o número de horas dormidas todas as noites.

As principais queixas a respeito de problemas com o sono se relacionam a dificuldade de dormir, acordar no meio da noite e não conseguir retomar o sono, sensação de cansaço ao acordar e sonolência durante o dia. Indivíduos que dormem pouco e vivenciam essas queixas com muita frequência podem aumentar as chances de desenvolver doenças como: pressão alta, diabetes, obesidade, enxaquecas, ansiedade, depressão e estresse, além de favorecer, pela baixa da imunidade, o aparecimento de gripes, resfriados e outras doenças contagiosas. Além disso, pessoas que dormem mal se tornam mais irritadas, com baixa concentração e maior risco de acidentes de trabalho ou de trânsito.

O tratamento para problemas com o sono pode ser simples e barato, sem efeitos colaterais e de fácil aplicação, basta o indivíduo estar disposto a mudar pequenos hábitos do dia a dia que os resultados logo aparecerão. A esse conjunto de mudanças destinado a melhorar a qualidade do sono dá-se o nome de Higiene do Sono.

A Higiene do sono é composta por orientações simples que devem ser seguidas rigorosamente todos os dias e que podem ser colocadas em prática de forma gradativa. São elas:

1) Ordem na rotina: estabeleça horário para deitar e levantar todos os dias da semana. A rotina de horários começa a regular o relógio biológico.

2) Quarto só para dormir: utilize o quarto apenas para praticar atividades sexuais e dormir. Qualquer outra atividade como ver TV, ler, utilizar o celular ou computador deve ser feita em outro cômodo.

3) Quarto escuro e silencioso: durma sem nenhuma luz acesa. Caso não seja possível, utilize um protetor sobre os olhos para impedir a claridade. Mantenha o ambiente silencioso e tranquilo, mesmo que isso exija certa negociação com a pessoa com que divide o quarto.

4) Atenção ao colchão e aos travesseiros: o colchão deve ser firme o suficiente para não deixar o contorno do corpo desenhado ao levantar. Os travesseiros precisam ser macios e adaptados conforme a posição de dormir.

5) Adote uma rotina tranquila e relaxante antes de ir para cama. Não assista a programas de televisão que possam deixar seu sono agitado ou com pesadelos.

6) Alimentação: Tente fazer a última refeição do dia duas horas antes de dormir. Caso não seja possível, não exagere na quantidade. Evite alimentos gordurosos e de difícil digestão, dê preferência por alimentos leves.

7) Cuidado com as bebidas à noite: Não ingerir bebidas que contenham cafeína pelo menos seis horas antes de dormir. Este mesmo cuidado deve ser tomado com bebidas à base de guaraná ou outros tipos de energético, além de bebidas alcoólicas. Embora a bebida alcoólica ajude a dormir rapidamente, ela destrói o sono profundo, fazendo com que você acorde cansado. Lembre-se que o excesso de líquido à noite aumenta o número de idas ao banheiro.

8) Pare de fumar. Contudo, se você ainda fuma, evite este hábito pelo menos 4 horas antes de dormir.

9) Pratique exercícios físicos regularmente. Uma simples caminhada 3 vezes por semana de 50 minutos ou uma caminhada 5 vezes por semana de 30 minutos é o suficiente para melhorar seu sono e sua saúde. O exercício físico é muito bom, mas deve ser feito até 3 horas antes de dormir.

10) Evite dormir com animais de estimação na cama ou no quarto, eles podem atrapalhar o sono. Tenha um caderninho para anotar todos os compromissos do dia seguinte e faça isso antes de iniciar sua rotina de sono (arrumar a cama para dormir, desligar TV, computador e celular, tomar banho, etc), assim você não precisará se preocupar no momento em que deitar para dormir.

11) Se acontecer algum imprevisto e a noite de sono for ruim, ou até mesmo sem dormir, levante no dia seguinte no horário de sempre e não se poupe por isso. Trabalhe normalmente e não cochile durante o dia. O cansaço será um ingrediente maravilhoso para dormir bem.

12) Se foi deitar e perdeu o sono, não fique se esforçando na cama para dormir. Levante e vá para outro lugar da casa realizar uma atividade o deixe tranquilo. Quando o sono aparecer, vá para o quarto dormir.

Experimente começar as mudanças ainda hoje, pense nas estratégias necessárias para que este processo seja um sucesso e estabeleça metas semanais, pois alcançando gradativamente pequenas metas, o entusiasmo fará com que você persista no caminho e tenha a vitória de um sono maravilhoso e restaurador.

Elaine Cristina Alves Pereira é fisioterapeuta, mestre e doutora em Saúde Pública pela FSP/USP, docente e supervisora da prática fisioterapêutica em gerontologia, saúde da mulher e saúde coletiva da Unitau

Bronquiolite: informe-se e proteja seu filho

A bronquiolite viral é a doença respiratória mais frequente em crianças e também uma das maiores causas de internação hospitalar infantil, principalmente entre os menores de dois anos. Os sintomas são muito parecidos com os de uma gripe. Começam com complicações das vias aéreas superiores, como coriza e congestão nasal, além de febre baixa, mas acabam evoluindo para sinais de complicação pulmonar como tosse e chiado, provocando dificuldade para respirar e cansaço. Embora na maioria das vezes não haja grandes complicações, algumas crianças (principalmente os nascidos prematuros e aqueles que já têm diagnóstico de outras doenças respiratórias) têm maior probabilidade de desenvolverem uma forma mais grave da doença, chegando a necessitar de internação hospitalar.

Causada por um vírus bastante comum, o vírus sincicial respiratório, a bronquiolite é altamente transmissível e mais comum em períodos mais frios do ano. Assim, para proteção das crianças, é essencial evitar o contato delas com outras pessoas doentes, além de evitar ambientes fechados e cuidar da higiene das mãos. O aleitamento materno também é um importante fator de prevenção, uma vez que a mãe produz anticorpos que ajudam na proteção do bebê e isso pode diminuir em até 30% os riscos de internação hospitalar por doenças respiratórias.

A fisioterapia respiratória é uma das alternativas de tratamento para a bronquiolite, usada principalmente para crianças com dificuldade para respirar e para eliminar as secreções. Por meio de técnicas que não provocam dor, o fisioterapeuta auxilia a higiene das vias aéreas e facilita a passagem do ar, ajudando o bebê a respirar melhor e auxiliando no tratamento da doença. O tratamento com a fisioterapia respiratória é realizado nas crianças internadas, mas também pode ser feito pelo fisioterapeuta especializado em casa ou em clínicas e ambulatórios, inclusive na clínica de fisioterapia da Universidade de Taubaté!

Proteja e cuide do seu bebê! Esteja atento aos sinais de complicações respiratórias e conte com a fisioterapia para seu tratamento!

Amanda Lucci Franco da Matta Campos é pós-graduada em Reabilitação Neurológica Infantil pela Unicamp e especialista em Terapia Intensiva Pediátrica e Neonatal (COFFITO)