Bronquilite viral aguda: e se não for gripe?

Nesta época do ano é muito comum o aparecimento de doenças respiratórias, sendo a Bronquiolite Viral Aguda (BVA) uma delas. Esta pode ser facilmente confundida com uma gripe comum devido terem sintomatologias muito parecidas, porém ela pode ter complicações graves levando a necessidade de atendimento em unidades de terapia intensiva (UTI).

Por definição, a BVA é uma inflamação de vias aéreas inferiores causada por um agente viral sendo o mais frequente o vírus Sincicial. Esta doença acontece em prematuros e em crianças até 2 anos, geralmente do sexo masculino, sendo mais incidente nos primeiros 6 meses de vida.

O quadro clínico é caracterizado por coriza, tosse, febre, irritabilidade e dispneia (falta de ar). Por se tratar de uma doença sazonal, no início do outono e pico no inverno, é um dos principais motivos de consulta em unidades emergenciais pediátricas, sendo que 2 a 7% dessas hospitalizações evolui com insuficiência ventilatória grave, tendo a necessidade de um suporte ventilatório nas UTI’s pediátricas. A atuação da fisioterapia é muito importante para a melhora da função respiratória do lactente, tendo em vista que utiliza técnicas para higiene brônquica (remoção de secreção), desinsuflação e reexpansão pulmonar (trabalham o volume pulmonar) que serão realizadas de acordo com achados clínicos pelo fisioterapeuta.

Além do tratamento fisioterapêutico, é necessária uma abordagem multidisciplinar para esses pacientes, dentre eles: médicos, responsáveis pelo diagnóstico e prescrição de medicamentos, e enfermeiros, responsáveis pela administração da medicação. Para evitar possíveis complicações futuras, tais como a pneumonia e a asma, faz-se necessário um diagnóstico precoce que diferencie uma gripe comum de um caso de BVA, de forma que esses pacientes sejam direcionados ao melhor tratamento.

 

Barbara Soares de Moura e Paloma Fernandez Teixeira Perez alunas do Departamento de Fisioterapia da UNITAU:

Ana Luisa Cortez Faria Alves, Bruna Araujo da Luz Camargo, Jonathan Willian Castro, Luana de Almeida Lemos, Luana Maria Ignez Silva, Victória de Oliveira Capucho, Yasmin de Melo Santos, ex-alunos UNITAU, hoje Fisioterapeutas.

Wendry Maria Paixão Pereira é mestre e doutora em Saúde Pública pela Faculdade de Saúde Pública da USP atualmente é docente do Departamento de Fisioterapia da Universidade de Taubaté (UNITAU).

H3N2: o novo vírus da gripe

Você conhece o H3N2? O vírus H3N2 é um subtipo do vírus influenza A que atinge, principalmente as crianças até 2 anos e os idosos. No hemisfério Norte, nos anos de 2018/2019, o vírus H3N2 acometeu muitas pessoas e acabou se disseminando para o Brasil. Em 2018 no nosso país, até o mês de abril, foram registrados 286 casos de influenza, com 41 óbitos. Do total, 71 casos e 12 óbitos foram por H3N2.

O vírus é transmitido como qualquer vírus da gripe, ou seja, através de secreções respiratórias, como gotículas de saliva, tosse ou espirro. Ele é causador de uma síndrome respiratória que ocorre com maior frequência nas estações do outono e inverno devido à queda de temperatura e o baixa umidade. Os principais sintomas podem aparecer de forma repentina como febre, tosse, dores de cabeça, dores musculares, dores nas articulações e coriza, podendo evoluir para dificuldade respiratória.

O diagnóstico é realizado pelo médico, baseado nos sinais e sintomas clínicos do paciente em conjunto com uma amostra da secreção da nasofaringe que deve ser colhida, preferencialmente, nas primeiras 72 horas após o início dos sintomas e, caso confirmada, deverá ser tratada com medicamento antiviral.

É importante buscar por medidas que auxiliem na prevenção da contaminação pelo vírus como, por exemplo, evitar permanecer muito tempo em ambientes fechados com muitas pessoas, higienizar frequentemente as mãos, cobrir nariz e boca quando tossir ou espirrar e evitar contato com objetos de uso coletivo como corrimãos por exemplo. Mas a principal forma de prevenção ainda é a vacinação.

A vacinação contra a gripe é feita em uma mesma dose trivalente e auxilia na prevenção de complicações provocadas pelo vírus como pneumonias, diminuindo também a probabilidade de internações hospitalares.

Além dos idosos com mais de 60 anos de idade, as crianças entre 06 meses a 06 anos de idade, as gestantes, as puérperas (mães om bebês de até 45 dias de vida), os trabalhadores da saúde, professores e os portadores de doenças crônicas constituem o grupo com maior risco de contaminação e por isso são convidados à vacinação.

A Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe já está acontecendo! No período de 10 de abril a 31 de maio de 2019 os postos de saúde estarão prontos para a vacinação. Leve sua carteirinha e seus documentos pessoais. Então bora se vacinar?

 

Aliandra Silva Paula, Leonardo Samuel Moreira, Lucas Azevedo Oliveira, alunos do Departamento de Fisioterapia da UNITAU:

Ana Carolina Horta dos Santos; Beatriz Pacheco Monteiro; Isabella Cristina São Tiago de Carvalho, Paula Oliveira Prudente, Suellen Rayane Martiniano dos Santos, Tayna Nadine Albessú Valério, Thainá Zucareli de Almeida, ex-alunos UNITAU, hoje Fisioterapeutas.

Wendry Maria Paixão Pereira é mestre e doutora em Saúde Pública pela Faculdade de Saúde Pública da USP atualmente é docente do Departamento de Fisioterapia da Universidade de Taubaté (UNITAU).

O infarto agudo do miocárdio

O infarto agudo do miocárdio, ou comumente conhecido como infarto do coração, ocorre quando o músculo cardíaco não recebe sangue e oxigênio suficiente para trabalhar. Essa falta de sangue provoca a lesão ou até a necrose de parte do músculo cardíaco. É uma condição de saúde muito grave que atinge a população brasileira. Segundo estatísticas oficiais, anualmente cerca de 100 mil pessoas morrem em sua decorrência e cerca de 35% dos óbitos de brasileiros com idade acima de 55 anos são em razão de doenças cardiovasculares.

A principal causa do infarto ocorre pela presença da aterosclerose, que são placas de gordura na parede dos vasos responsáveis pelo fluxo sanguíneo para o coração. O surgimento e crescimento dessas placas diminuem o espaço por onde o sangue consegue passar, comprometendo a quantidade de sangue e oxigênio disponível para o trabalho que o coração deve desempenhar. Com a aterosclerose é comum a formação de coágulos sobre essa mesma placa, o que também pode provocar o entupimento das artérias coronárias. Em ambos os casos o fluxo sanguíneo fica comprometido, ocasionando assim o infarto agudo do miocárdio.

O principal sinal do infarto é a dor aguda no peito, que perdura por mais de 20 minutos e se irradia para o braço ou ombro esquerdo. Além da terrível sensação de que algo aperta o coração, a pessoa pode sentir dores e desconforto em toda a região torácica, assim como falta de ar, fadiga, azia, suor excessivo, dor nas costas e no pescoço.

A prevenção é sempre o melhor remédio, e a melhor maneira é evitar ou minimizar os fatores de risco como diminuir ou encerrar o hábito de fumar, evitar o uso excessivo de álcool, manter uma dieta saudável e balanceada, controlar o peso e a pressão arterial.

Evitar o sedentarismo também é um importante aliado na prevenção de doenças cardiovasculares. Medidas simples como meia hora de atividade física por dia podem ter efeitos muito benéficos na prevenção dessas doenças.

O acompanhamento por um profissional de saúde é sempre aconselhável, pois somente esse profissional poderá orientá-lo de maneira exata e específica para cada caso ou situação. Previna-se!

Cesar Antonio Pinto é fisioterapeuta, docente da disciplina Fisioterapia nas Disfunções Cardiovasculares e Respiratórias, ex-coordenador de fisioterapia do Instituto do Câncer do estado de São Paulo e supervisor da Prática Fisioterapêutica Hospitalar da Universidade de Taubaté

A importância do engatinhar

Um dos marcos do desenvolvimento motor infantil mais aguardado pelos pais é o andar. Em alguns casos, erroneamente, certas estratégias para estimulação da marcha são aplicadas pelos cuidadores antes mesmo da criança adquirir o engatinhar, com o intuito de acelerar a sua independência.

O engatinhar, no desenvolvimento motor típico, é uma forma de locomoção que precede a deambulação, especialmente presente nas crianças de 8 ou 9 meses de idade. No entanto, nem todas as crianças passam por esta etapa antes de adquirir a bipedia e marcha, prática que deveria ser incentivada pelos adultos.

A fase do engatinhar proporciona inúmeros benefícios ao desenvolvimento dos pequenos, tais como:

-Possibilita maior independência, agilidade e oportunidades de exploração do ambiente;

-Estimula o equilíbrio, inicialmente em uma base de apoio maior do que em bipedia;

-Desenvolve maior consciência corporal e noção espacial, à medida que a criança experimenta diferentes alturas, tamanhos e profundidades;

-Aumenta a força muscular do tronco, dos membros inferiores e membros superiores;

-Reforça a estabilidade dos membros superiores e estimula a formação dos arcos palmares, imprescindíveis para atividades motoras finas envolvendo as mãos;

-Exercita a contra-rotação da coluna vertebral, necessária ao desenvolvimento de movimentos recíprocos dos membros;

-Aprimora a coordenação motora geral, pois envolve a alternância de movimentação dos quatro membros;

-Aperfeiçoa a coordenação visual, posteriormente empregada na leitura e escrita.

Podemos estimular a aquisição da postura quatro apoios (gatas) e posteriormente o engatinhar a partir da posição sentada sem apoio, geralmente aos 6-7 meses de idade, ou a partir da postura deitada de bruços, oferecendo brinquedos próximos à criança e aumentando gradativamente a distância, para que a mesma seja incentivada a deslocar-se. Vamos brincar mais com as crianças no chão?

Juliana Cátia de Oliveira é professora das disciplinas Fisioterapia em Neurologia Infantil, Desenvolvimento Neuromotor, Prática Fisioterapêutica Supervisionada em Pediatria, e coordenadora do Projeto de Extensão Estimulação do Desenvolvimento Neuropsicomotor de Bebês, do Departamento de Fisioterapia da Unitau

Incontinência urinária infantil

O controle miccional (da urina) ocorre até em torno dos cinco anos de vida. Falhas nos processos de desenvolvimento e amadurecimento da criança podem levar a dificuldades nesse controle. A aquisição do controle miccional pode ser mal influenciada por fatores variados como: baixa capacidade de armazenamento de urina na bexiga, desfralde mal conduzido, hábitos miccionais incorretos (uso de tablet, celular ou livros no banheiro), entre outros.

As perdas urinárias podem ser contínuas ou intermitentes, diurnas e/ou noturnas e acompanhadas ou não de outros sintomas. A enurese noturna é a mais comum e é definida como “a perda involuntária de urina durante o sono, em indivíduos com cinco anos ou mais, após excluir causas orgânicas”. Pode causar, com frequência, importante sofrimento psicológico e social tanto a familiares e cuidadores, quanto às crianças acometidas. Mais da metade das crianças com disfunções miccionais também têm constipação intestinal. Ao iniciar o tratamento, é importante envolver a comunidade escolar para auxiliar no sucesso das medidas propostas.

O tratamento deve ser interdisciplinar devido ao grande número de fatores que interferem na incontinência. Assim, a fisioterapia especializada pode utilizar recursos desde a educação da família e criança sobre função urinária, hábitos miccionais, ingesta de líquidos; exercícios posturais, de equilíbrio e percepção corporal; postura correta para urinar e evacuar, eletroestimulação, biofeedback eletromiográfico e outros necessários após uma avaliação detalhada.

Abaixo, link de site da fisioterapeuta Joceara Reis, com cartilha elaborada para auxiliar criança e familiares no decorrer do tratamento. Procure sempre um profissional de confiança.

http://fisiopelvicasp.com.br/noticias.html

Lorena Cecilia Valenzuela Reyes é fisioterapeuta, mestre em Bioengenharia pela USP-São Carlos, tem especialização em Saúde da Mulher e do Homem pela Santa Casa de São Paulo

Atenção: drenagem linfática manual não causa dor

Verão chegando… e aumenta muito o interesse da população por tratamentos que melhorem os contornos corporais, as gordurinhas localizadas e a indesejada “celulite” (cujo nome mais adequado é Fibro Edema Gelóide). Desperta a procura por diversas técnicas e massagens ditas como “redutoras” ou “modeladoras” para tratar condições que não nos agradam esteticamente.

São vários os relatos de pacientes que buscaram estes serviços e foram submetidos a práticas com características obscuras, em especial técnicas de Drenagem Linfática Manual, executadas de forma errônea, causando um sofrimento com manobras extremamente vigorosas, provocando dores intensas e equimoses (manchas na pele, produzidas por extravasamento de sangue), e ainda complicações como microvarizes, piora da celulite e até deslocamento de trombos.

É dever esclarecer que este panorama põe em risco a saúde da população e desvaloriza uma técnica que tem um gigantesco valor científico e clínico. A Drenagem Linfática Manual respeita a anatomia e fisiologia do sistema linfático e a integridade dos tecidos superficiais. Mas, para tanto, deve ser executada de maneira suave, lenta e rítmica, sem causar, em hipótese alguma, danos ou lesões aos tecidos e, principalmente, dor ao paciente. Fique atento ao procedimento correto e não se deixe enganar. Procure um fisioterapeuta, profissional capacitado para proceder a técnica corretamente e atingir resultados benéficos.

Nadiely S. Barros Diniz é fisioterapeuta formada pela PUCCAMP, técnica em Estética Corporal e Facial pelo Senac Campinas, especialista em Fisioterapia Dermato-Funcional pela UNICID, especialista e mestre em Fisiologia do Exercício pela Unifesp, e professora da disciplina de Fisioterapia Dermato-Funcional da Unitau

Fisioterapia na Apneia do Sono

O hábito de roncar durante a noite anda incomodando muitas pessoas. Você sente sono durante o dia, parece sempre cansado, acorda com dor de cabeça, anda irritado e com esquecimentos? Estes podem ser sintomas da apneia do sono (AOS), um distúrbio que compromete a qualidade de vida e eleva os riscos para o desenvolvimento de problemas cardíacos, diabetes e outras doenças.

Existem três tipos, sendo a mais comum a apneia obstrutiva do sono, causada por uma obstrução nas vias aéreas superiores (nariz ou garganta). Esse estreitamento provoca uma vibração na garganta, que gera o barulho do ronco, e está associado a deformidades na anatomia dessa região e também ao aumento das amígdalas e/ou adenoides. Já a apneia central do sono, mais rara, se deve a alterações no centro respiratório do cérebro. Suas principais causas são doenças cardíacas avançadas, uso de remédios para dor do tipo opióide e doenças neurológicas, como traumas e Acidente Vascular Encefálico (AVE). A menos comum é a apneia mista, que tem como causa uma mistura das outras duas.

Com as pausas na respiração, pode acontecer a elevação da frequência cardíaca e o estímulo à contração dos vasos sanguíneos para levar mais sangue oxigenado para as demais áreas do corpo. Esse esforço pode gerar arritmias cardíacas e hipertensão arterial. Além disso, a apneia do sono aumenta os riscos de desenvolver diabetes tipo 2, por favorecer o acúmulo de gordura abdominal e contribuir para o desenvolvimento da resistência à insulina.

O diagnóstico é realizado pelo exame de polissonografia, que avalia a qualidade do sono, a quantidade de apneias durante o sono e o tipo (se obstrutiva ou central). A partir deste exame consegue-se determinar, por exemplo, o Índice de apneia/hipopneia (AHI), e assim realiza-se sua classificação e direcionamento do tratamento, sendo:
-AHI 5-15: Apneia do Sono Leve
-AHI 15-30: Apneia do Sono Moderada
-AHI >30: Apneia do Sono Grave

Os casos mais leves de AOS podem ser tratados com algumas mudanças de hábitos, tais como reduzir o consumo de calorias, cessar o tabagismo, respeitar o número adequado de horas de sono e evitar uso de TV, computador e celulares próximo da hora de dormir.

Geralmente, a ventilação não invasiva é o tratamento mais comum, indicado nos quadros de AOS moderada a grave, com base no exame de polissonografia. CPAP é uma abreviatura do termo inglês Continuous Positive Airway Pressure (pressão positiva contínua nas vias aéreas). O aparelho fornece pressão de ar por meio de uma máscara via nasal ou oronasal. Ainda pode-se recorrer ao BIPAP (Bilevel Positive Airway Pressure), que funciona da mesma maneira que o CPAP, sendo que o BIPAP ajusta a pressão de ar de forma automática, fazendo pressões diferentes na inspiração e expiração.

O CPAP com máscara nasal é o tratamento de primeira linha para AOS, mas máscaras oronasais são frequentemente utilizadas na prática clínica. Um estudo recente, publicado no periódico Chest, comparou os dois tipos de máscara e concluiu que, em geral, a máscara oronasal foi associada a um nível mais elevado de CPAP; em média +1,5 cm H2O e maior IAH residual; em média, +2,8 eventos/h e pior adesão ao tratamento; em média -48 min/noite.

Se você foi diagnosticado com AOS procure um fisioterapeuta, que ele te ajudará com a mudança de hábitos e ajustes do equipamento de ventilação não invasiva, bem como com a escolha da melhor interface (nasal ou oronasal) para seu tratamento.

Tatiane Lopes Patrocínio da Silva é fisioterapeuta graduada pela Ufscar, mestre em Fisioterapia e doutora em Biotecnologia pela Ufscar e docente na área de Cardiorrespiratória na Unitau

Hérnia de disco: será que eu tenho isso mesmo?

Hoje em dia está cada vez mais comum escutarmos que alguém tem problemas nas costas em decorrência de uma hérnia de disco. Será que este é o grande problema da atualidade, que tem causado as famosas lombalgias?

A ciência nos diz que definitivamente não. A tal hérnia de disco afeta no máximo 5% de todo mundo que tem dores nas costas. Sim! Poucas são as pessoas que possuem dores nesta região que são causadas por uma hérnia.

Mas por que escutamos muitas pessoas falando que têm este problema? Discute-se profundamente este assunto e tem-se percebido que muitos pacientes com dores nas costas são mal diagnosticados. Como assim? Olha que interessante! Atualmente, tornou-se rotineiro um profissional da área da saúde requisitar um pedido de ressonância nuclear magnética ao paciente. Após a realização deste exame, o laudo do médico geralmente mostra várias características encontradas nas imagens, dentre elas, comumente verifica-se a hérnia de disco. No entanto, estudos têm demonstrado que mesmo pessoas que nunca tiveram dores nas costas, quando submetidas a uma ressonância nuclear magnética, também apresentam hérnias de disco. Sim, a tal hérnia de disco pode não ser o problema de muitos.

Renato José Soares é doutor em Biomecânica do Movimento pela USP e supervisor da Prática Fisioterapêutica em Ortopedia e Traumatologia da Unitau

Saúde do homem: muito além do câncer de próstata

Chegamos em mais um novembro azul, um movimento internacional que visa a conscientização do câncer de próstata. Uma campanha mundial que recebeu o nome de Movember, que alerta sobre a importância do diagnóstico e rastreio precoce.

Esta campanha começou na Austrália em 2003, com um grupo de amigos que resolveram deixar o bigode crescer — algo que não estava na moda – com o objetivo de chamar a atenção para a saúde masculina. A ideia ganhou adeptos e se tornou um evento mundial, que atualmente é realizado em 20 países, inclusive no Brasil.

Entretanto, a saúde do homem deve ser vista de maneira mais ampla do que somente abordagens ao câncer de próstata. Por isso, em 2009 o Ministério da Saúde criou e publicou a PNAISH (Política Nacional de Atenção Integral da Saúde do Homem).

A iniciativa é uma resposta do Ministério da Saúde em relação aos agravos que ocorrem com indivíduos do sexo masculino, principalmente entre 20 a 59 anos, uma vez que estes são um problema de saúde pública. Afinal, segundo dados nacionais, a cada três mortes de pessoas adultas, duas são de homens. Contudo esta politica tem como objetivo promover ações diretas de saúde que contribuam para uma compreensão da realidade masculina nos seus diversos contextos sociais, culturais, econômicos e políticos.

A PNAISH é estruturada em cinco eixos: acesso e acolhimento, saúde sexual e reprodutiva, paternidade e cuidado, doenças prevalentes na população masculina e prevenção de violências e acidentes, respeitando os diferentes níveis de desenvolvimento e organização dos sistemas locais de saúde e tipos de gestão de estados e municípios.

Desta forma, temos que aproveitar o mês de novembro para chamar a atenção para a saúde integral dos homens, ou seja, dar ênfase também a outras morbidades que são prevalentes no homem – como, por exemplo, as doenças cardiovasculares, em que a incidência é maior nos homens, especialmente em idades mais jovens, até aos 50 anos; as pulmonares relacionadas ao tabagismo.

Como profissionais da saúde, temos que incentivar o cuidado e a prevenção na população masculina, conscientizar e emponderar os homens em relação ao autocuidado com sua saúde, pois diversos fatores contribuem para a não adesão às medidas de promoção à saúde, entre eles o padrão cultural.

Padrão este que chamamos de estereótipo de masculinidade: o homem foi criado ao longo de décadas para ser forte, para não admitir o sentimento de fragilidade que uma doença possa trazer. Assim, os profissionais de saúde precisam sensibilizar os homens para o reconhecimento de suas condições sociais e de saúde e auxiliar nesta quebra de tabu.

Ainda deve-se considerar que muitos homens não procuram atendimento na atenção básica devido a incompatibilidade de horário das unidades de saúde com a jornada ocupacional, algo que necessita ser revisto por gestores a fim de contemplar a universalidade e integralidade.

Em suma, a Politica de Atenção a Saúde do Homem reforça e deve ser entendida como um conjunto de ações de promoção, prevenção, assistência e recuperação da saúde, executadas com base nos princípios do Sistema Único de Saúde, direcionadas ao homem. Com a capacidade de incluí-los nos serviços ofertados contribuindo para quebrar o paradigma cultural da masculinidade e promovendo uma melhor qualidade de vida para este grupo populacional de maneira integral.

Wendry Maria Paixão Pereira é mestre e doutora em Saúde Pública pela FSP/USP, docente e supervisora da prática fisioterapêutica em Gerontologia, saúde da mulher e saúde coletiva da Unitau

Prevenção de obesidade infantil

Atualmente na América Latina, uma em cada cinco pessoas com menos de 20 anos já apresenta sobrepeso ou obesidade, doença que traz outros sérios problemas de saúde, segundo a ABESO (Associação Brasileira para Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica).

A obesidade não é mais um problema apenas estético, que pode incomodar pelas “brincadeiras de mau gosto” dos colegas. Ela é uma doença capaz de provocar o surgimento de vários outros problemas, como aumento de colesterol e triglicerídeos, diabetes, doenças cardíacas, doenças respiratórias, alterações articulares e dor, dificuldade em participar de diversas atividades – como as aulas de educação física ou até mesmo atividades diárias. Além de tudo isso, ainda ocorre a má formação do esqueleto e doenças emocionais como depressão ou aumento de ansiedade de difícil controle.

Diversos motivos podem interferir no acúmulo de gordura, sobrepeso e obesidade. As crianças em geral ganham peso com facilidade devido a vários fatores como: hábitos alimentares errados, inclinação genética, estilo de vida sedentário, distúrbios psicológicos, problemas na convivência familiar, entre outros.

Sabemos que uma criança acima do peso está muito mais propícia a ter sobrepeso ou obesidade na vida adulta, pois ocorrem mudanças metabólicas, alterações no controle da fome e saciedade, além de registro cerebral no tamanho e quantidade de células de gordura, que são determinantes na facilidade em ganho de peso.

Por tudo isso a melhor maneira de se prevenir a obesidade é a mudança no estilo de vida, levando em consideração o equilíbrio entre alimentação saudável e exercícios físicos, que irão auxiliar diretamente no desenvolvimento emocional correto deste indivíduo.

A criança deve brincar, pular, dançar, se divertir e ser estimulada a atividades todos os dias. Deve também ser apresentada a variedade de alimentos com frequência, uma vez que o paladar também vai evoluindo e mudando com o passar do tempo. Os pais devem estar sempre atentos e por perto para evitar tempo prolongado em frente ao computador, videogames, entre outros, e também ao exagerado consumo de alimentos gordurosos, frituras e refrigerantes.

Participar de perto da vida das crianças é fundamental para ensiná-las a criar hábitos saudáveis que irão ajudá-las a se manter dentro do peso ideal na fase adulta e entender que o equilíbrio é importante para a saúde!

Procure sempre profissionais que podem te orientar, prevenir e ajudar no controle de sintomas!

A obesidade é uma doença séria, crônica e multifatorial que deve ser, prevenida e bem tratada.

Karla Garcez Cusmanich é mestre em Reumatologia pela USP, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, fisioterapeuta certificada pela Surgical Review Corporation como especialista em cuidados bariátricos- Bariatric Specialist Care SRC, professora e supervisora da Prática Fisioterapêutica em Cardiorrespiratória da Unitau